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quinta-feira 19 janeiro 2017
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Aposentado se acorrenta para conseguir cirurgia

Charles dos Santos ficou acorrentado na sede do plano, no centro de Vila Velha.

Charles dos Santos ficou acorrentado na sede do plano, no centro de Vila Velha.

Em um momento de desespero por não conseguir a liberação de uma cirurgia cardíaca, o aposentado Charles Lisboa dos Santos, de 46 anos, tomou uma decisão extrema: ele foi na terça-feira (10) para a porta da sede do plano de saúde, o SM Saúde, onde se acorrentou. Com uma cadeira de praia, uma corrente e um cadeado, ele chegou ao local, no centro de Vila Velha, às 7 horas e permaneceu até as 17h50.

O aposentado, que também sofre de problema renal e faz hemodiálise, promete retornar nesta quarta-feira (11) e repetir a cena até obter uma solução para o caso. Charles alega que desde novembro de 2016 vem lutando pela autorização para fazer a troca da válvula aórtica, uma das quatro válvulas cardíacas. O diagnóstico foi descoberto em agosto. “Fui fazendo tratamento, mas em novembro o meu cardiologista falou que eu tinha de fazer uma cirurgia, pois o meu coração está muito grande. É preciso abrir o meu peito e substituir a válvula aórtica por uma prótese”, contou.

Mas, segundo ele, foi a partir daí que começou a sua peregrinação. “Desde novembro busco autorização do plano, sem êxito. Todas as vezes que eu saía da hemodiálise, vinha direto aqui, na esperança de que estaria tudo certinho, mas ouvia: ‘não tem nada certo ainda’”.

Assim, na segunda-feira, tomou a decisão. A cena chamou a atenção de quem passava pelo local. Chegaram a declarar nas redes sociais que havia “um detento” acorrentado em frente ao SM Saúde. Enquanto conversava com a reportagem, Charles sentia dor no braço: “Dói muito, mas tenho de ser guerreiro. É um desgaste e constrangimento grande, mas estou aqui lutando pela minha vida porque quero viver debaixo da vontade de Deus e poder ver os meus filhos crescerem”.

Mesmo não sendo o médico que o acompanha, o cirurgião cardíaco Schariff Moysés explicou que casos assim requerem agilidade para a liberação ou não do procedimento. “O paciente já tem doenças anteriores, então precisa de atenção especial. Acredito que, se houve indicação médica, é preciso realizar o procedimento rapidamente.

Agora, se o plano não confia no médico, deve descredenciá-lo ou, então, levar um auditor até o paciente e avaliá-lo outra vez”.

Eliane Proscholdt e Kelly Kalle

Confira a reportagem especial completa no Jornal A Tribuna desta quarta

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