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sábado 29 abril 2017
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Assaltantes atacam ciclistas em ciclovias da Grande Vitória

Os ciclistas Paulo Barcelos, Roberto Santos, Matheus Mendes  e Wallace Santana estão atentos às ocorrências

Os ciclistas Paulo Barcelos, Roberto Santos, Matheus Mendes e Wallace Santana estão atentos às ocorrências

Ciclistas da Grande Vitória denunciam ataques por bandidos armados em ciclovias e também em bairros de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra.

Diante da situação de delitos, eles se organizaram e criaram um mapa colaborativo dos locais com mais crimes envolvendo o veículo na região metropolitana.

Segundo o estivador e ciclista Paulo Barcelos, o Paulão, 54, que integra o grupo Turma do Pedal Vila Velha e que ajuda a administrar uma rede com 10 mil ciclistas da Grande Vitória, a comunidade recebe cerca de três denúncias diárias de roubos ou assaltos.

Ontem, uma bicicleta de R$ 5 mil foi levada no centro de Vila Velha, de acordo com informações passadas na rede colaborativa. Normalmente, as bikes mais visadas custam R$ 2 mil.

“O furto de bicicleta já era comum. Agora, o que percebemos é o assalto à mão armada. Tem até ladrão vindo de carro para roubar a bicicleta. Isso já se caracteriza como crime organizado”, frisou Paulão.

Os ataques à mão armada, segundo Barcelos, têm acontecido em ciclovias com pouca circulação, rodovias e também dentro de bairros. Assim como Paulão, os ciclistas Roberto Santos, Matheus Mendes e Wallace Santana ficam atentos e compartilham informações.
Integrante da rede de Paulão e vítima de um assalto no qual levaram a bicicleta na Estrada do Xuri, em Vila Velha, o arquiteto e fotógrafo Cláudio Barros Machado, 46, criou um mapa dos locais que mais apresentam crimes relacionados ao veículo de duas rodas. Tudo é feito de maneira coletiva.

De acordo com o mapa, Vila Velha conta com a maior quantidade de locais alvos dos bandidos, sendo seguida por Vitória, Serra e Cariacica.
“As informações são nossas, por transitarmos nessas áreas. Existem outras que a gente ainda não tem marcadas, porque depende de outros grupos (de ciclistas) passarem para nós”, explicou o arquiteto, que detalhou que as regiões com menos crimes estão próximas a postos da polícia e das Guardas Municipais.

Segundo Barcelos, o mapa dos locais com mais incidência de crimes vai estar presente no aplicativo FX Bike, que contou com a ajuda do empresário Sandro Alves, 47, para ser criado. O FX Bike será usado, junto com o programa Bike Registrada, para contabilizar os delitos e também registrar as bicicletas dos usuários.
“Muita gente não tem nota fiscal da bicicleta. O cadastro serve para facilitar essa questão”, disse Alves.

Registros de assaltos na Grande Vitória

No mapa criado pelo arquiteto Cláudio Barros Machado e feito colaborativamente numa rede de 10 mil ciclistas, a cidade de Vila Velha tem mais áreas com a cor vermelha, que significa “alto risco de assalto”. Regiões como Xuri, Grande Terra Vermelha, Praia de Itaparica e São Torquato são os locais mais visados pelos bandidos.

Ciclistas apontam que ciclovias com menos movimento têm sido procuradas por bandidos para assaltarem os usuários dos veículos de duas rodas.

Em Vitória, as áreas mais visadas locais onde têm ciclovias, como a Praça do Papa. Na Serra, a região mais visada é a do trevo de Bairro de Fátima. Já em Cariacica, Jardim América é alvo.

Fonte: Turma do Pedal e Cláudio Barros.

Aplicativos para ajudar no policiamento

O estivador e ciclista Paulo Barcelos, o Paulão, 54, que integra o grupo Turma do Pedal Vila Velha e que ajuda a administrar rede com 10 mil ciclistas da Grande Vitória, contou que os aplicativos FX Bike e Bike Registrada vão ajudar no policiamento.

Segundo Barcelos, há uma previsão de que haja uma ajuda dos responsáveis pela Tecnologia de Informação dos programas junto aos profissionais que trabalham no Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), para repassar informações.

Por meio dos aplicativos, o usuário consegue registrar os dados da sua bicicleta, além de servir como um documento para o veículo.

Na última terça-feira, representantes de grupos de ciclistas estiveram reunidos com o secretário de Estado da Segurança Pública, André Garcia, e pediram uma série de medidas para tentar reduzir os índices de criminalidade.

Entre as solicitações, que foram entregues num documento, estão a abordagem a ciclistas, semelhantes a feitas a carros, uso dos aplicativos para monitorar as bicicletas e investigação de possíveis receptadores. A Sesp, em nota, informou que se comprometeu a encontrar soluções aos pedidos e que comandantes de batalhões da PM vão se encontrar com os ciclistas.

Prefeituras dizem que vigiam regiões afetadas

As prefeituras de Vitória e Vila Velha informaram, por notas, que realizam que fazem monitoramento por rondas e a partir de câmeras de videomonitoramento das regiões mais visadas pelos bandidos, segundo os ciclistas.

Em nota, a Guarda Municipal de Vila Velha afirmou que “realiza rondas diárias nas ciclovias do município, que contam com o reforço de viaturas e motocicletas”. Também destacou que “vai intensificar o trabalho nas ciclovias do município, e principalmente nos pontos citados pela reportagem”.

Já em Vitória, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (Semsu) explicou que a capital conta com 160 câmeras e que auxiliam na recuperação de bicicletas e na prisão de bandidos, além de ter patrulhamento 24 horas da Guarda Municipal. Informou ainda que a última recuperação de bicicleta foi na madrugada de segunda.

As prefeituras de Cariacica e da Serra informaram que a segurança pública é de responsabilidade do governo do Estado.

Reportagem de Acácio Rodrigues e Rafael Moura para a edição desta quinta-feira do Jornal A Tribuna.

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