Desarmar o cidadão é imoral

Helvécio de Jesus Junior, doutor em História e professor do curso de Relações Internacionais da UVV

Helvécio de Jesus Junior

Quando governos buscam desarmar a população a conclusão óbvia que podemos extrair é que esse governo não confia nos seus  cidadãos. Somente regimes autoritários buscam desarmar pessoas honestas e retirar deles os mais básicos dos direitos: a defesa da própria vida, liberdade e propriedade.

Em um Brasil com cerca de 60 mil homicídios por ano chega a ser ridícula qualquer defesa do desarmamento imposto à população.

É importante recordar que no referendo do 2005 a maioria da população recusou o desarmamento. Os governos FHC e Lula, de forma ilegítima e sorrateira, implementaram restrições totalmente contrárias a vontade da maioria e ferindo de morte assim, nossa já frágil democracia. Milhões de brasileiros que possuem armas de fogo legais foram impedidos de renovar seus registros e passaram a ser tratados como criminosos.

Em 2003, com o mensalão em curso, foi aprovado o famigerado “estatuto do desarmamento”, com restrições totalmente contrárias ao referendo de 2005 colocando a decisão final de possuir ou não uma arma para defesa nas mãos de um delegado de polícia federal orientado ideologicamente pelo ministério da justiça a negar a autorização de compra. Ou seja, o direito e a liberdade do cidadão foram violados por um estatuto que já se declara a favor de desarmar somente o cidadão deixando os bandidos cada vez mais armados e livres para matar e roubar. Por quê? Ora, leis afetam somente cumpridores da lei e bandidos, por definição, não cumprem leis. Nesse caso, apenas se beneficiam de uma lei que retira do cidadão o direito de se defender.

As evidências e dados empíricos das pesquisas sobre relação entre armas e criminalidade são devastadoras. Países, estados ou distritos que aprovaram leis restritivas de acesso a armas para o cidadão elevaram seus índices de criminalidade. Destacam-se os trabalhos do professor John Lott nos EUA e um amplo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard publicado em 2007 que comprovou que as leis que restringem o acesso às armas tem efeito contraproducente e elevam os índices de criminalidade.

A resposta é simples, os bandidos passam a perceber e atuar em um ambiente onde sabem que o cidadão não tem meios de se defender, isto é, não há meios de dissuasão de ameaças por parte das vítimas. No Brasil destacam-se os trabalhos dos professores Bene Barbosa e Fabrício Rebelo provando a ineficácia do desarmamento civil. O livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento do Prof. Barbosa tornou-se um best seller.

Desarmamentistas colocam a culpa da criminalidade na arma, um objeto inanimado, e não no seu usuário. E o pior é que esse ‘argumento?’ emocional e não racional, é levado a cabo pela maioria da mídia escrita e televisiva refém de uma perniciosa cultura politicamente correta que esconde as evidências e prefere os chavões ideológicos. Em suma, desarmar o cidadão sempre é uma ação tirânica, pois o maior dos direitos naturais é o de preservar sua própria vida e ter meios adequados para tal. Se um cidadão não tem o direito de defender sua vida nenhum outro direito é acessível a ele.

Desarmamento civil é uma ação adotada por regimes ditatoriais sociopatas como os casos históricos de Hitler, Stálin e Mao Tsé Tung. Nações com tradições de liberdade não desarmam seus cidadãos. O desarmamentro civil imposto no Brasil além de ilegal, contrário à vontade da maioria popular, é e sempre será imoral.

Helvécio de Jesus Júnior é Doutor em História pela Ufes e professor universitário.

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