Iceberg gigante vai virar ameaça para navios

Pesquisador passa por fenda na Antártida: bloco de gelo gigante se separou do continente gelado e levou o Chile a monitorar a situação do iceberg. Foto: Divulgação

Bloco de gelo de um trilhão de toneladas e do tamanho do Distrito Federal deve ficar parado até o mês de setembro deste ano

Santiago, Chile – O iceberg gigante que se separou da plataforma Larsen C, na Antártida, deve se manter na sua localização atual pelo menos até setembro. A informação foi dada ontem pelo Ministério da Defesa do Chile, que apontou que após esse mês o bloco de gelo vai se tornar uma ameaça para navios.

O icerberg se deslocou entre segunda e quarta-feira da Península Antártica, que fica na pontinha noroeste da Antártida – ponto mais próximo da América do Sul. Daí a preocupação do Chile, que o monitora com a Marinha.

“Até o momento estimamos que o iceberg ficará na posição atual por um tempo, porque o período de maior concentração de gelo é setembro”, disse o capitão Roberto Díaz, do Ministério da Defesa.

Nível do mar

De acordo com os pesquisadores do projeto Midas, da Universidade de Swansea (Reino Unido), o bloco de gelo não aumentará o nível do mar imediatamente. No entanto, se a plataforma continuar perdendo área, isso pode resultar na separação de geleiras rumo ao oceano.

“O movimento dos icebergs é controlado principalmente pelos ventos presentes na atmosfera e pelas correntes oceânicas que empurram o bloco de gelo que está abaixo da superfície da água”, disse Anna Hogg, especialista em observações de satélite da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

No entanto, isso também será determinado pela simetria do leito marinho. “As pequenas montanhas no fundo do mar podem ser suficientemente altas de forma que façam com que o iceberg permaneça no mesmo lugar”, disse.

Se nada o detiver e se ele começar a se mover, dará início a uma viagem ao redor do continente antártico, impulsionado pela corrente litorânea que gira em sentido anti-horário durante o ano inteiro.

Os cientistas não sabem exatamente onde ele chegará, mas normalmente os icebergs não costumam chegar a uma zona habitada.

Quando sair de perto do continente antártico, é importante ficar no seu encalço.

Enquanto se mantiver uma peça única, ou várias grandes, ele é menos perigoso, já que podemos vê-lo à distância. Quando se despedaçar será difícil estimar, da superfície, quanto gelo está submerso.

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Reportagem publicada na edição desta sexta-feira (14) de A Tribuna

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