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Natura compra Avon e se torna quarta maior empresa do segmento de beleza

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Natura compra Avon e se torna quarta maior empresa do segmento de beleza


​A Natura confirmou a aquisição da americana Avon em uma operação de troca de ações. O negócio deu origem a uma nova holding brasileira, a Natura &Co. Juntas, as duas empresas formam o quarto maior grupo exclusivo de beleza no mundo em valor de faturamento líquido, informam em comunicado.

Os acionistas da Natura &Co ficarão com 76% da companhia, enquanto os acionistas da Avon terão 24%. O grupo combinado terá valor de US$ 11 bilhões (R$ 44,2 bilhões). Nesta quarta-feira (22), o jornal Financial Times informou que a transação seria de US$ 2 bilhões (mais de R$ 8 bilhões). O valor da negociação não foi divulgado.

Com a operação, as companhias passam a ter faturamento anual superior a US$ 10 bilhões (R$ 40,2 bilhões), mais de 40 mil colaboradores e presença em cem países. Durante o dia, as ações das duas empresas subiram e fecharam em alta. A Avon encerrou esta quarta com valor de mercado de US$ 1,6 bilhão (R$ 6,4 bilhões). A Natura vale R$ 26,7 bilhões.

A companhia brasileira espera que a associação dos negócios resulte em sinergias estimadas entre US$ 150 milhões (R$ 603 milhões) e US$ 250 milhões (R$ 1 bilhão) por ano.

Os recursos serão parcialmente reinvestidos na empresa para aumentar sua participação nos canais digitais e mídias sociais, em pesquisa e desenvolvimento, iniciativas de marca e expansão da presença geográfica do grupo.

O negócio confirma a intenção de expansão da Natura. Em 2018, a empresa já havia anunciado planos de expansão neste ano na América Latina. Em nota à imprensa, o presidente-executivo do conselho da Natura, Roberto Marques, disse que a aquisição significa um passo para construir um grupo global e multimarcas.

"Juntos, aprimoraremos nossas crescentes capacidades digitais, nossa rede social de consultoras e representantes e alavancaremos nossa presença global de lojas e marcas diferenciadas, conectando e influenciando milhões de consumidores com diferentes perfis diariamente, tornando nosso grupo único", afirmou o executivo.

Luiz Seabra, cofundador da Natura diz que sua companhia sempre olhou a Avon com respeito e admiração.
Também afirmou ver oportunidades para o crescimento do modelo de venda porta em porta, uma das marcas das duas empresas, em especial com o avanço das tecnologias digitais.

"A chegada da tecnologia e da globalização multiplicou as oportunidades de se conectar com os consumidores de maneira significativa. O modelo de negócios está evoluindo para a venda por relações e o poder da era digital permite que o grupo vá além de fornecer produtos e consultoria."

Com foco na internacionalização, a Natura já havia adquirido as marcas internacionais Aesop em 2013 e The Body Shop em 2017.

Segundo dados da consultoria Euromonitor, a Natura é a maior empresa em participação de seu segmento de mercado no Brasil, com 11,9% das vendas do setor de beleza e cuidados pessoais. A Avon ocupa a 7ª posição, com 4,7% das vendas.

Globalmente, Natura tem 1,4% do mercado e Avon, 1,2%, informa a consultoria. Em termos de participação de mercado, o setor é liderado pela francesa L'Oréal (9,7% de participação de mercado), seguida pela Procter & Gamble (7,7%) e pela Unilever (7,5%), de acordo com a Euromonitor.

Como parte desta transação, foi criada uma nova holding brasileira, Natura Holding S.A.

Com base na relação de troca fixa de 0,300 ação de Natura Holding para cada ação da Avon, os acionistas de Natura &Co ficarão com 76% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Avon terão aproximadamente 24%.

Considerando os preços de fechamento de 21 de maio, a transação avalia o grupo combinado em aproximadamente US$ 11 bilhões, informam as companhias.

Ações

As ações da Natura subiram 9,43% nesta quarta, com os papéis vendidos a R$ 61,50 na Bolsa de São Paulo. O valor é superior a máxima histórica de R$ 59,80, registrado em 4 de janeiro de 2013. O receio de investidores antes do anúncio do pregão era que a compra pudesse comprometer a dívida da companhia brasileira.

Ao fim de 2018, o déficit da companhia era de 2,71 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, taxas, depreciações e amortizações). "O negócio só poderia ser melhor se a compra da Avon fosse mais barata e o dólar estivesse mais baixo", diz Luis Gustavo Pereira, estrategista-chefe da Guide Investimentos. O dólar fechou em R$ 4,04.

"O modelo de transação por ações pode gerar bastante valor por não ter alavancagem financeira. Nas outras aquisições, a Natura teve solavancos no caixa porque desembolsou grandes valores", afirma Pereira. Para ele, o tipo de transação adotado foi benéfico para a companhia.

Henara Matache, analista do Brasil Plural, destaca a conveniência da junção das marcas. "A Avon passou por tempos difíceis em todos os seus principais mercados e pode precisar de investimentos para revitalizar suas operações em todo o mundo, ao mesmo tempo em que a Natura têm que manter o seu plano de reestruturação em curso para a marca The Body Shop", diz Matache.

Em nota a clientes, Matache diz que as sinergias que podem resultar da combinação das duas empresas "devem superar o lado negativo dos investimentos necessários e contribuir diretamente com o objetivo maior da companhia de se tornar uma marca verdadeiramente global". A Avon também teve alta, de 9,06%, atingindo valor de US$ 3,49 na Bolsa de Nova York.


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