Torresmo e dormir cedo, os segredos para ter 106 anos

Maria José de Jesus, de 106 anos. Foto: Rodrigo Gavini

Maria José de Jesus, de 106 anos. Foto: Rodrigo Gavini

Poucos dias após comemorar 106 anos, a aposentada Maria José de Jesus contou sua receita de longevidade. Bem-humorada, em meio a sorrisos, ela revelou que sempre gostou de comer bem, o que para ela inclui torresmo e feijão e que também não abre mão de dormir cedo.

O hábito de comer torresmo veio da roça, onde viveu por muitos anos. Assim como o de dormir cedo, sempre por volta das 21 horas. Além disso, ela também gostava de se divertir dançando forró. Dona Maria é de Peçanha, Minas Gerais. Lá, ela trabalhava com o marido na plantação e na colheita de milho e feijão, tanto para a família, quanto para produtores locais. Com esse trabalho, criou os filhos. Ao todo teve 11, dos quais 10 estão vivos. “Graças a Deus, meus filhos não me deram trabalho. Os mais velhos iam cuidando dos mais novos”, detalhou.

Depois dos filhos criados, ela acabou adoecendo e veio para Vitória se tratar. Após dois anos distante do marido, o casamento acabou e ela ficou na capital. Com o tempo, foi morar em São Pedro I. “Eu trabalhei carregando areia, terra e catando lixo. Ajudei a aterrar São Pedro I. Depois vim para São Pedro V e ajudei a aterrar aqui também”, contou orgulhosa.

Ela, que celebrou a nova idade no último sábado, explicou que em São Pedro I construiu um barraquinho feito de taboa e sapé – plantas das quais são retirados caules secos para cobrir casas. Depois ela vendeu seu “barraquinho” e comprou outro em São Pedro V.

“Em São Pedro I, chegou uma hora que foram construindo casas melhores. Como eu não tinha  condições, vendi meu barraquinho e comprei outro aqui em São Pedro V”, explicou. Para sobreviver, ela trabalhava catando e vendendo lixo.

“Com o dinheiro que eu ganhava, comprava arroz e feijão. Quando sobrava um pouquinho, comprava um pedacinho de carne e quando ainda sobrava tomava cachaça, mas não era para ficar bêbada não, era só para ficar alegre”, brincou.

Entre as carnes estão toucinho para fazer torresmo, frango e carne de boi. A filha Terezinha Carvalho Ferreira, de 65 anos, que cuida de dona Maria, contou que a mãe é aposentada e até hoje gosta do torresminho. “Se tiver molinho, ela ainda come”, explicou bem humorada como a mãe.

Reportagem de Verônica Aguiar para o jornal A Tribuna desta quarta-feira (17).

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