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sexta-feira 17 novembro 2017
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Bicicletas invadem as ruas

Luiz Gustavo Gabler e Zilma Dal'Col. Foto: Fábio Vicentini.

Luiz Gustavo Gabler e Zilma Dal’Col. Foto: Fábio Vicentini.

Seja para lazer, trabalho ou esporte, a bicicleta está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Essa é uma mudança simples de hábito que pode trazer inúmeros benefícios para o indivíduo e para o mundo.

Melhoria na mobilidade urbana, menor emissão de poluentes, engajamento em uma atividade física, economia… Os motivos para adotar a bike no dia a dia são diversos. E até quem adota a “magrela” por uma razão específica sente os reflexos em outros aspectos da vida.

Um exemplo é o diretor de arte Kemel Mellen Neves Melo, de 30 anos, que recorreu à bicicleta para ter melhor qualidade de vida. Como consequência, uma menor espera no trânsito. “Vou trabalhar todo dia de bicicleta, exceto quando chove. Passei a usar há três anos quando me mudei para Vila Velha e o trajeto que faço tem estrutura de ciclovia”, lembra. “A diferença que senti nesses últimos anos foi gigante porque não aguento esperar no trânsito e fico ansioso.”

A mudança foi tão benéfica que agora Kemel já incentiva a filha Helena Medeiros Melo, de apenas dois anos, a optar pela bike. Os passeios são na praia e, quando a mãe não pode, o pai leva a pequena para a creche. “Ela ainda vai na cadeirinha, mas já está na hora de olhar uma para ela. Eu gosto e quero que ela tenha ânimo de sair de casa para fazer essas atividades. Ela está nova, na época de aprender.”

Já a esteticista Eliete Xavier de Souza Coelho, de 54 anos, começou a pedalar por prazer. “Gosto do  prazer que a bicicleta me proporciona, de poder ir para qualquer lugar, ver as pessoas, parar no meio do trajeto e conversar com os cachorros.”

Apesar de ter carro, ela usa a bike como meio de transporte para qualquer lugar, tanto para feira e supermercado quanto para ir à praia ou ao barzinho à noite. Tudo com calma para apreciar o passeio no trajeto.

Há quase 20 anos usufruindo dos benefícios das “magrelas”, Eliete observa o surgimento de novos ciclistas e também a evolução das cidades com mais ciclovias e incentivos. “O número de ciclistas aumentou com essas facilidades, mas ainda precisa melhorar muito e nós lutamos por isso.

Mobilidade

O sociólogo Luiz Gustavo Gabler, 30 anos, usa a bicicleta no cotidiano. Para ele, a bike dá mais mobilidade para se deslocar e muda a forma de ver a cidade. “A gente vive a mudança de clima, enxerga a paisagem, vê os rostos das pessoas, sente os cheiros e passa a interagir com o todo de uma maneira diferente.

 

Vida saudável

O passeio pela manhã é o momento da advogada Zilma Dal’Col, 47 anos, curtir com o neto Samuel Dal’Col De Victa, 1. “Quero mostrar a ele desde cedo a importância da atividade física para garantir uma vida saudável e sem sedentarismo, já que hoje as crianças estão muito focadas em jogos eletrônicos.”

Grupos se unem em busca de amigos e aventura

Sylvio Roberto. Foto: Acervo pessoal

Sylvio Roberto. Foto: Acervo pessoal

Lazer, transporte e também esporte! A bike é uma modalidade que se tornou popular entre novos atletas que se reúnem em grupo para curtir uma aventura.

Pedalando há 5 anos, o assistente técnico de TI Sylvio Roberto Coutinho da Silva, 49, sentiu os benefícios de imediato. “Perdi 13 kg. Além disso, senti melhora no humor e no sono e fiz novas amizades.”

Hoje ele coordena um grupo que se reúne três vezes por semana. Ele explica que existem grupos para níveis do iniciante ao avançado.

Para quem quer começar a pedalar, fica a dica: “Comece; se junte a um grupo e use equipamentos de segurança (capacete, luva e tênis bons). Venha conhecer sua cidade e até o Estado por uma nova perspectiva. Você vai se surpreender!”

 

 

Prática melhora a saúde do coração

Mesmo quando o objetivo não é voltado para a saúde, andar de bike contribui para o bem-estar. Basta um passeio por dia em cima da “magrela” que o coração já agradece.

O cardiologista Schariff Moysés defende que, “se tivesse segurança, o movimento de mais pessoas andando de bicicleta seria uma das grandes conquistas da saúde pois a prática aumenta a função cardiovascular ”.

Uma voltinha a lazer de 10 km pelo menos cinco vezes na semana já melhora muito a saúde do coração. No entanto, o especialista alerta que qualquer pessoa deve fazer um check-up antes de se engajar na atividade. “De repente a pessoa tem uma patologia que não conhece. Então pessoas acima de 40 anos devem fazer o exame cardiológico uma vez ao ano; as mais jovens, de dois em dois”, esclarece.

“Primeiro tem que fazer exame cardiológico e segundo aprender a andar de bicicleta, pois exige equilíbrio, o que nem todos têm.”

Problemas articulares não são empecilhos ao subir na bicicleta. Essa prática, inclusive, auxilia no tratamento, explica o educador físico e coach Felipe Carvalho. “O pedalar é um movimento de baixo impacto e muito saudável para membros inferiores, tanto é que se usa muito na reabilitação de pessoas que têm dores no joelho. O movimento promove uma irrigação mais profunda na região, o que beneficia essas articulações.”

Com 10 minutos de bike, o corpo já sente o auxílio na questão articular. Com 20 minutos, há melhoria no sistema imunológico. Acima de 30 minutos, promove-se uma melhoria na circulação que beneficia o sistema cardiovascular.

Segundo Carvalho, a bicicleta ainda acelera o metabolismo, auxiliando quem busca perda de peso. “O trabalho de baixa a moderada intensidade por períodos acima de 30 minutos favorece o uso da gordura como fonte de energia e faz com que o oxigênio consiga queimar mais gordura.”

O alerta do especialista é para a necessidade de se alongar antes e depois de pedalar. “Há um trabalho grande nos flexores do quadril e da lombar, por isso essas regiões acabam sendo sobrecarregadas. Os alongamentos são importantes para a preparação dos estabilizadores dessas que são as regiões mais exigidas pelo movimento das pernas.”

Tomando os cuidados de fazer check-up com um médico especialista e de se alongar, a “magrela” pode ser uma grande aliada da saúde.

“Só uso carro se o percurso for longo”

Luciene Gozzer. Kadidja Fernandes.

Luciene Gozzer. Kadidja Fernandes.

A pedagoga Luciene Gozzer, de 52 anos, usa a bicicleta como principal meio de transporte há quatro anos. O que a princípio era apenas um meio de economizar se tornou um estilo de vida.

“Quando comecei a usar, não tinha a consciência que tenho hoje. E no primeiro contato com o universo da bike fui vendo o que falta para o ciclista. Falta respeito, falta segurança… E assim a gente entra no movimento em prol dos ciclistas, pois sempre tem algo para reivindicar. E isso tudo procurando respeitar também o pedestre”, defende.

Luciene vai a supermercado, passeios, trabalho… tudo de bicicleta. “Para onde posso ir de bike, vou. Tenho carro, mas ele fica de stand by. Só uso quando o percurso é longo.”

“Economia entre as vantagens”

Flávia Assis Lage. Foto: Fábio Vicentini

Flávia Assis Lage. Foto: Fábio Vicentini

Foi quando colocou na ponta do lápis os gastos para manter um automóvel que a arquiteta Flávia Assis Lage, de 35 anos, decidiu vender o carro e adotar a bicicleta como meio de transporte.

“Fazendo as contas, vi que um carro popular gasta em média R$ 800 por mês e que o meu trajeto era muito curto para um custo tão alto.”

Flávia também sentiu os impactos no seu bem-estar desde que fez a troca há dois anos. “Percebi que não tinha mais estresse com o trânsito ao ir para o trabalho. Agora além de contribuir com meio ambiente, me sinto menos estressada, mais saudável e consigo aproveitar o sol da manhã, ou seja, tenho mais qualidade de vida!”

Investimento em ciclovias

Aluguel de bicicletas. Foto: Divulgação

Aluguel de bicicletas. Foto: Divulgação

Com cada vez mais bikes nas ruas, os municípios precisam se adaptar às necessidades dos ciclistas. Falta de respeito no trânsito, além de ciclovias limitadas e inseguras são algumas das reclamações de quem pedala. As prefeituras da Grande Vitória afirmam que estão investindo na prática.

Uma forma de motivar é com a implantação de um sistema de aluguel de bicicletas, como já existe há cerca de um ano e quatro meses em Vitória. Segundo o secretário de Transporte de Trânsito e Infraestrutura Urbana, Tyago Hoffmann, foram 300 mil viagens. “Essas pessoas estariam se deslocando de outras formas. Talvez não de carro, mas com certeza há retirada de veículos da rua.” A capital tem 47 km de ciclovias e ciclofaixas em forma de anel, permitindo dar a volta na ilha de bike.

Em Vila Velha, o Bike VV inicia o aluguel de bicicletas em 15 de novembro. Serão 200 bicicletas em 20 pontos da cidade, que tem 46,2 km de ciclovias e ciclofaixas e planeja expandir em 75 km, além de resolver outros problemas.

Já na Serra, o projeto para implantação do compartilhamento de bicicletas começará a tomar forma em 2018, esclarece a secretária de Desenvolvimento Urbano do município, Mirian Soprani. “O objetivo é incentivar e valorizar a utilização do transporte não motorizado, o que gera menos poluição e promove a saúde.”

A Serra tem 53 km de ciclovias e ciclofaixas e planeja construir mais 188 km a curto e longo prazo.

 

AS VANTAGENS DE USAR A BIKE

1 – Menos espera no trânsito

Enquanto os carros esperam no engarrafamento, as bikes conseguem passar, reduzindo o tempo de espera no trânsito.

2 – Maior mobilidade

Claro que existem algumas limitações, por exemplo ao atravessar pontes, mas a bike possibilita ir a uma diversidade de lugares sem ter que esperar por ônibus ou usar o carro próprio.

3 – Contribuição para o trânsito

Ao optar por uma bike para se locomover, ou é um carro a menos na rua (reduzindo a frota de veículos) ou é uma pessoa a menos dentro dos transportes coletivos (reduzindo um pouco a demanda de passageiros).

4 – Menos estresse

Para quem não gosta de dirigir ou fica estressado com congestionamento – e outras situações comuns do trânsito –, a bike permite apreciar a cidade de uma maneira diferente e curtir o trajeto como um passeio, mesmo se estiver indo para o trabalho.

5 – Benefício ao meio ambiente

A bicicleta é um meio alternativo que pode substituir veículos motorizados. Optar por ela no lugar de outro transporte contribui para a redução na emissão de poluentes.

6 – Aproveitar o ar livre

Pedalar também é lazer e pode ser brincadeira para crianças. Adultos que se queixam de crianças presas dentro de casa agarradas à tecnologia podem incentivar os pequenos a pedalar para aproveitar o ar livre e se divertir “à moda antiga”.

7 – Conhecer a cidade

De bike, é possível perceber melhor os rostos das pessoas, sentir os cheiros e conhecer rotas diferentes à medida que experimentamos novos caminhos. Até para turistas é mais interessante do que andar de carro, já que a velocidade pode impedir de ver os detalhes da cidade, ou de ônibus, que seguem rotas fixas.

8 – Economia

O carro precisa ser abastecido com certa frequência, o que causa uma dorzinha no bolso no fim do mês. Com a bike, a despesa é com o investimento na hora da compra e na manutenção, custos baixos se comparados ao carro.

9 – Sem superlotação

Nada de se espremer dentro de um ônibus nos horários de pico. Com a bike, o trajeto é feito com conforto sem precisar ficar esbarrando em ninguém nem se segurando em uma barra para não cair.

10 – Fortalecimento dos membros inferiores

O movimento de pedalar fortalece as pernas e é saudável para os membros inferiores, tanto que se usa muito o trabalho de bike para reabilitação de pessoas que têm dores no joelho. O exercício tem ainda baixo impacto e pode ser praticado até por quem tem problema nas articulações.

11 – Faz bem para o coração

O exercício em cima da bike promove uma melhoria na circulação do sangue, na irrigação dos membros e também faz bem para o coração por aumentar a função cardiovascular.

12 – Ajuda na perda de peso

O pedalar promove uma aceleração no metabolismo, auxiliando na queima de gordura, pois a usa como fonte de energia.

13 – Qualidade de vida

A prática de um exercício melhora a saúde e o bem-estar do indivíduo, refletindo em diferentes aspectos da vida como humor, sono e relação com outras pessoas.

14 – Fazer novas amizades

Existe um universo de pessoas com esse mesmo interesse, o que propicia a formação de novas amizades. Além disso, existem grupos que pedalam juntos e compartilham momentos, estreitando os laços.

Fonte: Especialistas e ciclistas entrevistados.

 

Kariny Baldan




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