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sexta-feira 17 novembro 2017
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Campeões do futebol capixaba: Atlético/ES busca caminho diferente

Na expectativa de ter em mãos até R$ 4 milhões para conquistar o acesso à Terceirona do Brasileiro e chegar ao menos à terceira fase da Copa do Brasil do ano que vem, o Clube Atlético Itapemirim, atual campeão capixaba e da Copa Espírito Santo, busca sair da dependência de recursos públicos.

Rubéns Pinheiro, o Rubinho, presidente do Atlético/ES. Foto: Acácio Rodrigues

“Quando me chamaram para buscar o acesso, eu pedi para que fizessem um projeto de seis anos, para que o Atlético/ES consiga, a partir daí, se manter financeiramente. Isso conta desde o Capixabão de 2015. Estamos indo para o quarto ano dessa ideia”, contou o presidente do clube, Rubéns Pinheiro, o Rubinho.

Esse projeto se deve pela dependência que o clube tem com a Prefeitura de Itapemirim.

“Hoje nós temos o patrocínio master da prefeitura, que banca mesmo o Atlético/ES. Tivemos alguns colaboradores por fora, temos um patrocínio de uma loja de Marataízes e uma fornecedora de material esportivo desde 2014”, explicou.

Rubinho garante que, mesmo no meio do período de expectativa de caminhar com as próprias pernas, a correria tem sido grande para arcar com os custos.

“Estamos terminando o projeto de captação de recursos e vamos pensar em empresas grandes”, frisou o dirigente.

Comemoração do título da Copa Espírito Santo, conquistado no estádio Sumaré, em Cachoeiro de Itapemirim. Foto: Alessandro de Paula

Com orçamento de R$ 1,5 milhão em 2017, tendo conquistado os dois torneios disputados no Estado e garantido as vagas para a Copa do Brasil, Copa Verde e Quadradona do Brasileiro de 2018, o time oferece boa estrutura.

Atualmente, com espaços alugados ou cedidos como apoio, o Atlético/ES tem um alojamento com 12 suítes (com dois jogadores em cada quarto), sala de fisioterapia 24 horas, refeitório, quatro campos para treinamento, além do estádio José Olívio Soares, piscina de hidromassagem e, em breve, sala de reuniões e salão de jogos ao lado do refeitório.

Refeitório no alojamento alugado pelo clube. Foto: Acácio Rodrigues

“Hoje, a nossa realidade já é outra em relação a 2014 (ano do acesso ao Capixabão). O Atlético/ES é o maior símbolo de Itapemirim”, afirmou.

Mensalmente, o clube gasta R$ 30 mil em alimentação.

“Temos quatro refeições diárias: café da manhã, almoço, janta e lanche da noite. Todos fazem alimentação dentro do refeitório do Atlético/ES, mesmo os que moram com família fora do alojamento”.

Academia em Itapemirim, utilizada pelos jogadores do Atlético/ES. Foto: Acácio Rodrigues

Mesmo com os esforços, alguns jogadores cobram dívidas. “Tivemos problema de repasse no segundo semestre, questões legais. Estamos parcelando tudo isso. O clube é uma utilidade pública”, explicou o dirigente.

Sobre a renovação do elenco, Rubinho confirma que o o plantel será maior em 2018:

“O Zé (Humberto) trabalha 24 horas (risos). Fomos campeões no sábado, segunda-feira já estávamos sentados em uma reunião. E isso é bom para planejar. O treinador é o chefe da comissão técnica e pensamos em um número de 33 atletas”.

Campo da comunidade de Bom Será, em Itapemirim, utilizado pelo Clube Atlético Itapemirim. O time ainda usa outros três, além do estádio José Olívio Soares. Foto: Acácio Rodrigues

Rubinho é ex-goleiro. A despedida oficial dos gramados, inclusive, foi no Espírito Santo. Mais precisamente, o mandatário do Galo da Vila pendurou as chuteiras no palco que rendeu as maiores glórias do clube de Itapemirim.

“Sou natural de Campos (RJ). Comecei com 14 anos a jogar no Americano/RJ, depois me transferi para o Botafogo, ainda na base, durante dois anos. Depois, voltei para Campos, onde joguei no Goytacaz. Daí, voltei para o Americano, tudo ainda na base. Quando estourei a idade, fui para o Rio Branco/RJ, disputei a segunda divisão carioca, e voltei para o Americano, quando conseguimos o título do módulo azul (terceira divisão) em 1987. Passei pelo Macaé, pelo Carapebus e encerrei minha carreira no Atlético de Jerônimo Monteiro. Inclusive, meu último jogo como profissional foi no estádio Sumaré, uma linda coincidência (risos)”, revelou.

Paixão é de longa data

Presidente e membro da diretoria do Atlético/ES entre os anos 1980 e 1990, Carlos José Araújo, de 72 anos, é um torcedor ilustre do Galo da Vila. Aposentado, ele sofreu três derrames e um acidente vascular cerebral, mas não deixa de acompanhar o time.

José Bento da Silva (zelador do clube), 67, Amilton Santos (Tuviva, ex-goleiro), 71, e Carlos José Araújo (Carlinhos, ex-presidente do clube), 72. Torcedores ilustres do Atlético Itapemirim. Foto: Acácio Rodrigues

“As primeiras pedras desse estádio passaram aqui”, disse ele, mostrando suas mãos, ao contar que foi um dos homens que construiu o estádio José Olívio Soares.

Ex-goleiro do Atlético/ES, Amilton Santos, de 71 anos, conhecido como Tuviva, é outro que esbanja felicidade em ver o time de Itapemirim em alta no futebol.

“Quando eu vim de Cachoeiro para cá, eu já conhecia o time. Tinha um campo comum, aberto, em outro local da cidade. A gente que torce mesmo viu a cobrança de pênaltis da Copa Espírito Santo esse ano com o coração na mão e confiante no goleiro Bambu (risos)”, afirmou, referindo-se à final vencida diante do Espírito Santo.

Fachada do estádio José Olívio Soares, em Itapemirim. Foto: Acácio Rodrigues

Zelador do clube, José Bento da Silva, de 67 anos, é curto e grosso ao falar do momento que vive seu time do coração: “Um monte de clube tradicional ficou para trás, como Colatina, Linhares. O Ordem e Progresso (de Bom Jesus do Norte) desapareceu do mapa. A crítica ajuda. Elogio só serve para a gente se acomodar”.

Tuviva está ansioso pelos jogos em competições nacionais. “Vai jogar contra times mais fortes, mas vamos torcer para o Atlético/ES continue firme e chegue lá”.

Já Carlos Araújo aposta alto: “Para ganhar do nosso Atlético/ES aqui, vai ser difícil”.

Reportagem de Acácio Rodrigues




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