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segunda-feira 20 novembro 2017
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Campeões do futebol capixaba: Muniz Freire encaminha retorno

No dia 15 de dezembro de 1991, o Muniz Freire Futebol Clube calou o estádio Engenheiro Araripe, ao superar a Desportiva Ferroviária na final. Era o primeiro título do Capixabão conquistado pela equipe do sul do Estado, apenas dois anos depois de integrar a primeira divisão.

Mão de Onça e Zé Gatinha, ex-goleiro e ex-meia do Muniz Freire Futebol Clube, campeões em 1991. Foto: Acácio Rodrigues

Só que no ano do título, por exemplo, o clube sobrevivia muito de doações dos moradores da cidade. Em 1997, o time disputou seu último Capixabão, quando terminou em quinto lugar. Agora, 20 anos depois, a alegria do futebol está voltando a Muniz Freire.

“Fizemos a diretoria, estamos legalizando documentações para aí sim pensar no trabalho de base bem feito”, afirmou o atual presidente e ex-goleiro do time, José Carlos Nicolau, o Mão de Onça.

Time campeão em 1991. Foto: Divulgação

Sem precisar uma data, o ex-goleiro garante empenho no retorno do Muniz Freire ao futebol profissional.

“Lá na frente, vamos tentar fazer um convênio com um clube de fora do Estado para desenvolver um trabalho e, por que não, pensar em uma forma de ter atletas de escolinha e formar jogadores. A prioridade nossa é a categoria de base”, explicou o ex-goleiro, que completou:

“Costumo dizer que o Muniz Freire ficou em coma e agora não está mais. Queremos reacender a história, fazer um acervo e recuperar tudo aquilo que pertence ao clube. Precisamos tornar o clube um ponto de encontro”.

Antes, o estádio José Ibrahim Nicolau, que é do clube, vai passar por uma reconstrução, ainda em discussão junto à prefeitura.

Entrada principal do estádio José Ibrahim Nicolau: praça esportiva está abandonada. Foto: Acácio Rodrigues

“Ele (o estádio) é do clube, com escritura e tudo. O estádio é do Muniz Freire Futebol Clube. Só que, quem é Muniz Freire Futebol Clube hoje? Não tem sócio registrado. Uma diretoria que passou quase 20 anos sem existir”, disse o o ex-presidente do clube e atual prefeito, Carlos Brahim Bazzarella, conhecido como doutor Carlinhos, que frisou:

Taça do Capixabão de 1991. Prêmio fica na Casa da Cultura, em Muniz Freire. Foto: Acácio Rodrigues

“Fizemos doações por salários (em 1991). Hoje, se você procurar 30 doadores de um salário mínimo por mês, vai ser difícil de achar. Naquela época não, cada um dava de acordo com a sua capacidade. E a gente achou. No final de cada mês a gente sorteava 10% do que foi arrecadado para um. Então, isso motivou. Todo mundo ajudou, a gente ia limpar campo, trabalhava de voluntário e isso criou um espírito na cidade”.

O prefeito quer, inclusive, que a praça esportiva seja cedida.  “Temos uma verba inicial para dar a estrutura necessária. O que tem, já daria. Temos hoje R$ 200 mil, para começo. A gente pediria mais, que provavelmente vai vir. Mas, isso tudo, dependendo da municipalização do estádio”, explicou.

Cidade com cerca de 19 mil habitantes, Muniz Freire viveu uma alegria intensa em 1991 não só pelo título, mas também por ser o ano do centenário do município.

“Na primeira partida da decisão aqui (vitória de 1 a 0), foram 5 mil pessoas ao estádio, algo que nunca imaginávamos que iria acontecer”, lembra o prefeito.

Doutor Carlinhos foi quem assumiu a bronca em 1991, quando todos se assustaram com a responsabilidade de ter um time no Capixabão.

Doutor Carlinhos, prefeito de Muniz Freire e ex-presidente do clube. Foto: Acácio Rodrigues

“Quando o Muniz Freire foi campeão da segunda divisão em 1989, e passou para a primeira, bateu um certo medo, ninguém quis assumir a direção do clube. Pela experiência de 1990, deu um certo desânimo. E em 1991, era centenário do município. Então, houve uma reunião na Câmara de Vereadores para organizar a diretoria, e ninguém quis. Eu decidi assumir a responsabilidade, para trabalhar com a comunidade”.

No Araripe, o empate em 2 a 2 deu o título ao Muniz Freire.

Zé Gatinha, o ídolo do clube

“Nós vamos fazer fotos no cemitério? Já não é mais um estádio”. A frase é forte, mas reflete a realidade de um dos maiores símbolos que a cidade já teve. Natural de Muniz Freire, revelado pelo clube da cidade e com passagens por Desportiva e Rio Branco, o ex-meia José Geraldo Favoreto, o Zé Gatinha, é considerado o maior craque da cidade.

Zé Gatinha, o maior jogador da história de Muniz Freire. Foto: Acácio Rodrigues

“Eu praticamente passei minha infância todinha jogando com a camisa do Muniz Freire, sempre disputando categorias de base, depois o time passou a disputar campeonatos amadores. Em 1988, o Muniz Freire resolveu entrar no âmbito profissional, mas eu já tinha me profissionalizado no Castelo”, contou.

Zé Gatinha chegou a chamar a atenção do Internacional, após o jogo de ida da primeira fase da Copa do Brasil de 1992.

“O Antônio Lopes era o técnico do Inter. Me sondaram para saber se eu tinha interesse em jogar lá. Mas, no jogo de volta, chegamos a Porto Alegre e não estávamos acostumados com aquele frio.

Pegamos 6ºC lá. Perdemos por 5 a 0 e não deu para desenvolver o mesmo futebol que fiz em Cachoeiro (3 a 1 para o Inter, com um gol de Zé Gatinha)”, lembrou.

Agora, ele vive a expectativa do retorno do clube. “Temos a ansiedade de ver o Muniz Freire de volta. Voltar a disputar no futebol profissional? Não sei, mas precisamos reestruturar o clube”.

Zé Gatinha com a taça de campeão capixaba. Foto: Divulgação

E toda essa vontade faz jus ao apelido que ganhou desde a infância, antes de brilhar nos gramados.

“Quando eu comecei a jogar futebol, eu já tinha esse apelido, da época de escola. Eu tinha muita determinação, vontade, força física, pulmão… E isso veio mais à tona na época profissional. Lembro de radialista sacramentando meu apelido, me chamando de ‘motorzinho grená’, quando eu atuava pela Desportiva. Eu tinha muito fôlego. O apelido ficou até hoje”, revelou.

Ao longo da carreira, Castelo, Comercial de Alegre, Muniz Freire, Rio Branco de Venda Nova, Mimosense, Guarapari, Rio Branco, Desportiva, Linhares e Aracruz foram os clubes onde Zé Gatinha jogou.

“Recusei muitos convites. Em 1991 joguei a Série B do Brasileiro pela Desportiva. Fomos eliminados no primeiro mata-mata contra o Santa Cruz. O treinador era Arnaldo Traspadini. Em 1996, o último clube fora de Muniz Freire que passei foi o Comercial de Alegre. Em 1997, encerrei minha carreira com 33 anos. Era muito novo, recebi muitos convites para voltar, mas casei em 1999 e não tive ambição para voltar ao futebol profissional”.

Reportagem de Acácio Rodrigues




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