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domingo 22 outubro 2017
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Descobertas da ciência para ser mais tranquilo e feliz

Buscar um significado para a própria vida, sempre ter objetivos a serem alcançados e até tirar uma soneca ajudam nessa tarefa

A busca pela felicidade é algo natural do ser humano. Por conta disso, inúmeras pesquisas científicas em todo o mundo tentam entender o que ela seria, como o organismo reage quando se está feliz e ainda o que fazer para o cérebro ter essa sensação.

Entre as pesquisas recentes sobre o assunto, a ciência aponta descobertas para ser mais feliz e tranquilo, como buscar um significado para a própria vida, sempre ter objetivos a serem alcançados e até mesmo tirar uma simples soneca.

A pesquisadora e escritora norte-americana Susan Andrews, que estuda a área e é doutora em Psicologia, explicou que um dos achados fundamentais da ciência hedônica – que estuda a felicidade – tem sido a importância da conexão harmoniosa com os outros.

“Incontáveis estudos mostram que pessoas que são casadas, que têm bons amigos e que são próximas das suas famílias são mais felizes. Então o segredo para se ter uma vida feliz é dar e receber muito amor. E ainda manter uma prática diária – mesmo se for somente alguns minutos por dia – de relaxamento e meditação.”

O médico, psicólogo e master trainer em Programação Neurolinguística Roberto Debski frisou que estudos mostram características importantes para se ter felicidade durante a vida.

“É essencial valorizar os ganhos mais do que as perdas, olhar de maneira positiva para a vida, cultivar o que há de melhor em si e sentir-se útil para os outros. Essas são algumas atitudes já comprovadas.”

A diretora geral e fundadora da Ginástica do Cérebro Franquias, Nadia Benitez, frisou que é possível treinar o cérebro para ser feliz.

“Ter metas de curto prazo é importante. Praticar esportes pode se tornar um hábito e, com o tempo, um prazer. Nosso cérebro não sabe o que é real e o que não é, por isso sofremos quando temos pesadelos, e temos que aproveitar para forjarmos nossas emoções.”

A psiquiatra da MedSênior Mariana Herkenhoff destacou que se alimentar bem, ter uma vida sexual ativa e saudável, pensar de forma positiva e meditar também são hábitos apontados pela ciência como fonte de bem-estar.

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Pensamento positivo

Foto: Antonio Moreira/AT

A técnica de enfermagem Sueli Guedes, 56, adota o bom humor no seu dia a dia.

“O que eu faço é pensar sempre positivo, que vai dar certo, que muitas pessoas estão com problemas maiores que os meus, que o dia vai ser bom e entregar tudo nas mãos de Deus. Murmurar por causa de um problema de nada adianta.”

O que a deixa feliz é seu trabalho. “Gosto de ajudar as pessoas. Estar com minha família também é maravilhoso. Família é a base de tudo.”

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Sorrisos e abraços são simples

O líder de projetos da Aiesec Haroldo Mendonça, 26, acredita que a felicidade pode ser passada de uma pessoa para a outra.

“Sei que todo mundo tem problemas. Mas podemos melhorar o dia do outro. Um sorriso, um abraço, dizer que está com saudades, tudo isso pode melhorar o dia da pessoa.”

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Ter dinheiro

Estudos apontam que nações mais ricas costumam reportar índices mais elevados de felicidade em comparação a nações mais pobres. O dinheiro realmente compra a felicidade, mas até certo ponto. O nível financeiro está ligado à felicidade até quando se precisa do dinheiro para sobreviver, como ter um lugar para morar, comida dentro de casa, entre outros. A riqueza aumenta a felicidade somente quando leva as pessoas da pobreza para a classe média. Após isso, não faz diferença.

Valorizar os ganhos

Apesar dos problemas do dia a dia, as pessoas que valorizam os ganhos mais do que as perdas – valorizam mais aquilo que elas têm do que o que não têm – conseguem ter uma vida mais tranquila e com bem-estar.

Ter um significado

Buscar um significado para a sua vida é essencial. A sensação de significado, a crença em algo superior a si mesmo, derivada de religião, da espiritualidade ou de uma profunda filosofia de vida traz bem-estar. A sensação de estar contribuindo para algo importante é necessária para o ser humano.

Tirar uma soneca

Estudo do Reino Unido mostrou que 66% dos que cochilavam por até 30 minutos relataram sentirem-se mais felizes em relação aos que não dormiam. Além disso, cochilar em algum momento torna a pessoa mais focada, produtiva e criativa.

Querer sempre mais

Neurocientistas apontam que dos instintos básicos do ser humano, procurar é o mais importante. Isso porque os animais são recompensados por explorar o meio onde vivem e procuram novas informações para poder sobreviver. Por isso, ter uma lista do que se quer na vida pode se manter sempre crescente.

Fazer massagens

Pesquisadores da Universidade de Miami, Estados Unidos, descobriram que poucas semanas de massoterapia reduzem os níveis excessivos de cortisol, o hormônio do estresse, em até 31% – o que melhora também o desempenho mental, além de aumentar os neurotransmissores do bem (serotonina, que aumentou em até 28%) e do prazer (dopamina, que cresceu 31%). Uma dica é praticar a automassagem.

Cuidado com a respiração

Segundo cientistas, quando inspiramos profundamente usando o diafragma – músculo abaixo dos pulmões –, é possível estimular o sistema nervoso parassimpático, que relaxa todo o organismo. Ao expirar, os órgãos internos são empurrados para frente, o que massageia os órgãos digestivos e melhora seu funcionamento. A respiração diafragmática lenta e profunda contribui para diminuir os níveis de cortisol, induzindo ao equilíbrio do corpo e da mente.

Expressar suas virtudes

Estudiosos afirmam que outra atitude que traz satisfação é o engajamento em atividades nas quais elas sejam razoavelmente eficientes e habilidosas e que também lhe permitam conectar-se e contribuir para o bem-estar de outras pessoas. Expressar suas virtudes e suas competências é importante para ter bem-estar, sendo que ele surge do próprio mérito da pessoa.

Ter autoconhecimento

A felicidade depende de si próprio. Estar feliz e satisfeito é algo individual. Por isso, é preciso ter autoestima e se conhecer para saber quais atitudes fazem bem à pessoa, para poder repeti-las. E também entender o que a faz mal, para tentar evitá-las.

Criar relações de afeto

Todos precisam de carinho para se sentir felizes. Por isso, tenha relacionamentos afetivos profundos e duradouros. Pode ser com amigos, família ou animais.

Ter resiliência

Ser resistente aos problemas do dia a dia, tentar não se abater demais, ou seja, ter resiliência, é a forma para se adaptar ao mundo. Por isso, é preciso criar suas próprias estratégias de enfrentamento das adversidades e perdas da vida. Isso também aumenta o bem-estar.

Ser grato

Ter gratidão por tudo o que temos, parar o dia corrido e analisar as conquistas feitas até hoje, o que há de bens materiais e imateriais muda o estado de espírito, dando satisfação.

Ser positivo

Estudos mostram que ter pensamentos positivos, ser otimista com os desafios da vida, dando valor às pequenas coisas, também leva à felicidade e reduz doenças, pois melhora a imunidade. Ser agradável, sempre dando palavras de cortesia (obrigado e por favor, por exemplo) também fazem o ser humano se sentir bem. Além disso, acreditar que você tem direito à saúde, a felicidade e ao amor é essencial, aumentando a autoestima.

Fazer meditação

Pesquisas comprovam que a meditação reduz o nível de estresse, melhora a respiração e dá relaxamento, aumentando a imunidade, evitando sintomas da depressão e ansiedade. Além disso, meditar ajuda o cérebro a produzir mais o neurotransmissor endorfina — considerado analgésico natural —, dando sensação de plenitude.

Sorrir

Sorrir, mesmo que não seja uma reação normal (mesmo sendo sorriso forçado), dá ao cérebro sensação de prazer e felicidade, que reduzem estresse, aumentam a imunidade e melhoram as funções cerebrais. Da mesma forma, ter uma postura reta, com o queixo elevado, ajuda a reduzir a sensação de tristeza e aumenta a autoconfiança.

Sair de casa

Estudos apontam que ficar sentado o dia todo ou mesmo ficar o dia todo dentro de casa traz momentos depressivos. Pessoas solitárias são infelizes. Caminhar e ver pessoas e coisas ajuda a aliviar o estresse.

Desabafar

Ter amigos para poder desabafar tem resultados semelhantes a fazer terapia, segundo estudos. O importante é ter alguém com quem conversar sobre o dia a dia, problemas ou seus sonhos.

Quando os pensamentos e emoções não são liberados, isso começa a ser somatizado pelo corpo, levando a doenças, pois comprime o sistema límbico do cérebro, responsável pelas emoções e também pela imunidade.

Ter bons hábitos

Praticar atividades físicas ajuda na liberação de endorfina, trazendo bem-estar. Ter momentos de lazer também aumenta a qualidade de vida e dá relaxamento. É ainda importante ter um sono de qualidade, para evitar o mau humor. Além disso, é importante ter uma alimentação equilibrada, com verduras, legumes, frutas, grãos, carnes magras e gorduras boas, evitando sal, gordura e açúcar em excesso. Isso ajuda o organismo a se manter em equilíbrio.

Fonte: Especialistas consultados.

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Felicidade “pega” tanto quanto gripe

Susan é pesquisadora da felicidade. Foto: Divulgação

Sim, felicidade é contagiosa. Uma pesquisa científica abordada no livro “A ciência de ser feliz” (editora Ágora), da norte-americana Susan Andrews, doutora em Psicologia que mora no Brasil desde 1992, vai além. Segundo o estudo, a felicidade é tão contagiosa quanto a gripe.

A pesquisadora disse que o estudo foi publicado no British Medical Journal (Jornal Médico Britânico). Realizada com cerca de 4.700 pessoas ao longo de mais de 20 anos, a pesquisa revelou que a felicidade não apenas aumenta a chance de que alguém que você conheça fique feliz.

Segundo os estudiosos, a felicidade pode chegar a pessoas que talvez lhe sejam desconhecidas – tendo o poder de melhorar o humor do cônjuge, do irmão dele, de amigos e vizinhos do irmão.

“Nicholas Christakis, médico e sociólogo da Universidade de Harvard, constatou que ‘sua felicidade depende não somente das suas escolhas e ações, mas também das escolhas e ações das pessoas que você sequer conhece e estão um, dois ou três níveis distantes de você.’ Esse efeito ressonante pode aumentar a felicidade em 34% e perdurar por até um ano.”

De acordo com o cientista político James H. Fowler, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que é coautor desse estudo, se o amigo de um amigo de um amigo nosso fica feliz, isso tem mais impacto na sua felicidade que um aumento de 5 mil dólares no salário.

Segundo ele, numa época em que nos deparamos com tamanhas dificuldades econômicas, a mensagem poderia ser: “Aguente as pontas, você ainda tem seus amigos e sua família, e essa são as pessoas com as quais você deve contar para ser feliz”.

Susan explicou que a felicidade se alastra como vírus através das redes sociais. “Ela pode afetar até mesmo pessoas estranhas entre si e distantes umas das outras.”

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Trabalho voluntário e apoio da família

A aposentada Bernadete Maria Marques, 66, busca estar de bem com a vida e ser simpática com todos. “Estou passando uma fase muito difícil, há seis meses eu perdi minha irmã, mas não podemos nos deixar abater, pois a vida continua. Tenho minha família e amigos. Faço um trabalho voluntário na igreja que me ajuda muito a seguir em frente. Quando fazemos algo por alguém, estamos na verdade recebendo.”

Ela também gosta de cuidar de jardins.

“Isso ajuda a gente a manter o dia a dia alegre. Estar em contato com a natureza e com crianças traz uma boa energia. Lá em casa, gostamos de juntar a família para rir e conversar. Um sorriso sincero, um bom dia verdadeiro, isso enche a nossa vida e a do próximo.”

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Emoções negativas são importantes

Heloísa diz que o medo protege: “Só ter cuidado para não nos paralisar”. Foto: Divulgação

Especialistas afirmam que sensações como dor, medo e tristezas também contribuem para o crescimento do ser humano

Ser infeliz não é algo bom para o ser humano, mas decepções, como as sensações de dor e medo, além da inconformidade com algo na vida, podem ajudar a trazer mudanças e, com isso, nos tornar mais felizes.

A especialista em autoconhecimento e desenvolvimento humano e escritora do livro “O mapa da felicidade”, Heloísa Capelas, afirmou que a infelicidade não traz benefícios ao ser humano.

“Mas a dor e o medo trazem. O medo nos protege, só ter cuidado para não nos paralisar. E a dor faz com que a gente vá atrás de solucionar problemas. Quando sentimos dor, nosso cérebro busca solução para sair da dor.”

O psicólogo Enéas Lara explicou que a não conformidade ou não acomodação com as coisas como estão também têm um lado positivo. “Este estado nos leva a buscar, investigar, propor, experimentar e mudar. A angústia é amiga da mudança e da energia para fazer algo. Não estar feliz com as coisas como estão, desde que não nos paralise ou despontencialize, pode, sim, promover mudança e, quem sabe, trazer felicidade.”

A pediatra e acupunturista Márcia Yamamura ressaltou que não é possível estar alegre o tempo todo.

“A euforia é patológico. É importante transitar pelas emoções. Não é bacana dar gargalhadas em um velório, por exemplo. A emoção não condiz com a situação. É importante sentir medo, ansiedade. As emoções negativas também são importantes para nosso crescimento.”

A diretora executiva e fundadora da Ginástica do Cérebro Franquias, Nadia Cristina Benitez, disse que mesmo quando a pessoa não está tão bem, é possível tentar colocar um sorriso no rosto.

“O sorriso pode levar à liberação dos hormônios da felicidade. Os efeitos até mesmo de um sorriso falso podem influenciar o cérebro de forma positiva. O psicólogo Shawn Achor diz que ‘o cérebro procura as coisas boas da vida. Sorrir nos ajuda a ver essas possibilidades e assim temos mais sucesso’.”

Apsiquiatra do hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, Andrea Mazzoleni frisou que a infelicidade pode ser patológica. “Ficar triste por pelo menos duas semanas independente do que aconteça, já é sinal de depressão. Sabemos que há fatores genéticos e ambientais que levam à doença. Nesse caso, é preciso medicação.”

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Índice mede felicidade

Andrea diz que felicidade ajuda o país. Foto: Divulgação

Felicidade Interna Bruta (FIB). Parece brincadeira com o Produto Interno Bruto (PIB) – índice que aponta o valor do que é produzido nos países. Mas o FIB existe e tem medido o quanto a população de um país é considerada feliz.

A gestora empresarial e master coach Andrea Deis explicou que o o indicador FIB vem como uma alternativa complementar a outras medidas de riqueza de uma comunidade que vai além do desempenho econômico traduzido hoje no indicador PIB.

O FIB inclui atividades não monitorizadas como uso equilibrado do tempo, cuidados com a família, esgotamento de recursos naturais e bem-estar humano.

“É importante que as pessoas estejam bem emocionalmente para o país. Quando as pessoas são felizes, são mais saudáveis, mais persistentes e mais produtivas. As empresas precisam atuar em prol disso.”

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Bem-estar aumenta produtividade

A psicóloga Martha Zouain disse que as pessoas felizes têm salários melhores
e são mais bem-sucedidas na profissão. Foto: Fábio Vicentini/AT – 08/06/2017

Ser feliz pode ajudar a melhorar as contas das empresas e de um país. Pesquisas apontam que a felicidade aumenta a produtividade e a qualidade do trabalho.

Um estudo realizado pela Universidade de Warwick, do Reino Unido, realizou quatro experimentos em várias empresas e concluiu que a felicidade aumentava em média 12% o nível de produtividade. Além disso, um relatório da PwC aponta que existe uma relação direta de bem-estar e propósito de vida com o nível de felicidade.

A psicóloga e diretora da Psico Store Martha Zouain frisou que ser feliz melhora a imunidade.

“Ficando menos doente, faltam menos ao trabalho. Pessoas felizes têm carreira mais bem-sucedida, salários melhores, conseguem posições de liderança mais rapidamente e são mais estáveis nos empregos, sendo mais produtivas e com um desempenho melhor. Felicidade é um excelente negócio.”

Ela contou que empresas estão investindo em cafés da manhã, visitas dos familiares, festas de aniversariantes do mês, entre outros.

A coach de bem-estar Flávia Motta, especializada em Psicologia Organizacional, afirmou que a felicidade deve ser tratada como o percurso e não a chegada.

“Se pensarmos que só seremos felizes se tivermos uma promoção no emprego, quando isso acontecer, será algo bom, mas vamos nos acostumar com isso também. É preciso ter equilíbrio na vida pessoal, profissional e espiritual.”

A visagista Maya Meneguelli explicou que o visagismo ajusta a imagem da pessoa ao seu temperamento, o que ajuda a torná-la mais feliz. “Ao alinhar cabelo, roupas, cores e acessórios, por exemplo, conseguimos trabalhar a personalidade, que vai afetar a vida pessoal e profissional.”

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Análise de Luciano Sewaybricker, doutor em Psicologia e professor

“As pesquisas são mais empíricas do que científicas”

“Fiz um estudo sobre as pesquisas publicadas sobre felicidade. Os estudos são mal fundamentados. Trata-se quase nada do rigor conceitual e muito – excessivamente – do rigor empírico, ou seja, as pesquisas são mais empíricas do que científicas. Faz-se muita aplicação de teste, busca-se amostras cada vez maiores e diversas, mas com um instrumento que tem baixa validade.

Mas, logicamente você pode ir ajustando esse teste de acordo com os resultados dessas aplicações para que, estatisticamente, ele seja coerente.

Os pesquisadores contemporâneos se debruçam sobre o tema com o intuito de pesquisá-lo empiricamente.

Mas, para isso, eles precisam definir com certa precisão o que é felicidade. É aí que está o problema. Essa escolha é arbitrária.

E isso vale para os principais instrumentos de avaliação de felicidade ou do que chamam (para ‘tentar’ escapar da polêmica) bem-estar subjetivo.”

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Reportagem especial de Kelly Kalle para o jornal A Tribuna do dia 24/09/2017




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