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segunda-feira 20 novembro 2017
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Doutor João Responde: O fôlego de vida dos pulmões

Doutor João Responde

Doutor João Evangelista

“Antes de querer brincar de viver, tenha certeza de que terá fôlego para me acompanhar”. Essa é a primeira mensagem que o coração envia para o pulmão, quando nascemos.

Inspirado de oxigênio e nutrido de esperança, o pulmão responde: “Enquanto respirar, eu me lembrarei de você”.

A respiração é tão imprescindível à vida, que nascemos com dois pulmões. O ato de respirar ocorre dia e noite, sem parar. Podemos sobreviver determinado tempo sem alimentação, mas não conseguimos ficar sem ar por mais de alguns minutos.

Variações de oxigênio e gás carbônico no sangue controlam a atividade dos músculos respiratórios, ajustando a respiração conforme a necessidade.

O corpo humano realiza dois tipos de respiração: celular e pulmonar. A primeira é um processo que ocorre no interior das células, sendo responsável pela obtenção de energia. A segunda, por sua vez, é responsável por disponibilizar oxigênio para as células realizarem a respiração celular e retirar o gás carbônico resultante desse processo do nosso corpo.

A respiração pulmonar inicia-se com a entrada do ar pelas fossas nasais. Nessa região, o ar é filtrado e umedecido graças à presença de pelos e muco. Além disso, em razão do tecido conjuntivo da cavidade nasal ser amplamente vascularizado, o ar é aquecido nesse local.

Após passar pelas fossas nasais, o ar segue em direção à faringe. Em seguida, vai para a laringe, onde a traqueia é conectada. Nessa região, existe um tecido ricamente vascularizado que permite que o ar mantenha-se úmido e aquecido. A traqueia se bifurca em dois brônquios que penetram nos pulmões. Os brônquios ramificam-se até que resultam nos bronquíolos, os quais também se ramificam.

Na extremidade dos bronquíolos, encontram-se os alvéolos pulmonares, que se assemelham a pequenos sacos. Essas estruturas são bastante próximo aos capilares, característica que permite a realização de trocas gasosas, conhecidas como hematose.

O oxigênio presente no interior dos alvéolos difunde-se para dentro do capilar e liga-se à hemoglobina. O oxigênio é então levado pelo sangue para todas as células do corpo para que possa ser usado no metabolismo celular. O gás carbônico existente no sangue, por sua vez, faz o caminho inverso, passando dos capilares para o interior dos alvéolos, de onde segue pelas vias respiratórias para fora do corpo.

O processo de respiração pulmonar só é possível graças a dois movimentos respiratórios: a inspiração, que garante a entrada do ar, e a expiração, que permite a saída do ar. Na inspiração, o músculo do diafragma desce e os músculos intercostais contraem-se.

Isso ocasiona um aumento da caixa torácica e diminuição da pressão em seu interior, permitindo a entrada de ar. Já na expiração, o diafragma sobe, os músculos intercostais relaxam, a caixa torácica diminui e a pressão no interior aumenta, forçando a saída do ar.

Recentemente, estudos revelaram que os pulmões exercem um papel que vai muito além da função respiratória de oxigenar o sangue e eliminar o gás carbônico do organismo, ou seja, ele também fabrica sangue.

Acreditava-se que a medula óssea era a única responsável pela produção de todos os componentes sanguíneos. Sabe-se hoje que os pulmões fabricam mais de 10 milhões de plaquetas por hora.

Verificou-se no pulmão a presença de células hematopoiéticas capazes de restaurar a produção de sangue quando a medula óssea se mostra incapaz de fazê-lo. Grande quantidade de megacariócitos, células precursoras das plaquetas foram identificadas na rede vascular pulmonar.

O sangue que recebe o primeiro sopro de vida dos pulmões é o mesmo que devolve para ele o nosso último suspiro.

 

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista




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