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domingo 19 novembro 2017
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Empresas vão liberar 1.500 para trabalhar em casa

A empresária Raquel Brandão começou a adotar o home office. Ela tem uma confecção   duas lojas e, há quatro  meses, uma de suas  costureiras passou a  trabalhar em casa. Foto: Dayana Souza

A empresária Raquel Brandão começou a adotar o home office. Ela tem uma confecção duas lojas e, há quatro meses, uma de suas costureiras passou a trabalhar em casa. Foto: Dayana Souza

Entre os pontos aprovados da reforma trabalhista está a regulamentação do home office (trabalho em casa), também chamado teletrabalho. No Estado, a expectativa é de que empresas liberem 1.500 empregados para trabalharem em casa a partir do dia 11 de novembro, quando a lei entra em vigor.
Apesar de já ser permitido e adotado por algumas empresas, o teletrabalho ganha mais força com
as novas regras. Entre as vantagens, especialistas afirmam que a medida ajuda na redução de custos para as empresas, diminuição do deslocamento e ainda possibilita aos trabalhadores fazerem horários de forma flexível.
Segundo estudo do consultor na área empresarial e estratégia Fernando Doria Porto, ex-diretor do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies), 1.500 serão liberados para atuar
com o teletrabalho no Estado a partir do dia 11 até o final de 2018. “Em dois anos, serão mais cinco
mil nessa modalidade e, em três, serão pelo menos 10 mil, fora as contratações”, disse Porto.
O advogado trabalhista Alberto Nemer Neto explicou que, mesmo o home office já sendo adotado, com a
reforma trabalhista as empresas vão utilizar ainda mais essa forma de contrato, já que a nova legislação
traz uma maior segurança jurídica.

Ele explicou que, para quem já está trabalhando, a mudança para o teletrabalho pode ser feita por meio de um aditivo no contrato. “Para a empresa, o home office reduz custos, com a redução de alimentação ou do espaço físico, por exemplo. Já o trabalhador ganha em qualidade de vida, com horários mais  flexíveis e mais tempo com a família. Todos ganham”, disse Alberto Nemer Neto.
O advogado Thiago Carvalho Oliveira ressaltou que a regulamentação do trabalho home office demonstra uma tendência a ser adotada, e há casos de empresas no Brasil que têm até  trabalhadores fora do País nessa modalidade. “É preciso haver acordo entre as partes e regras claras estipuladas em contrato ou em um aditivo. Os gastos com energia, internet e equipamentos eletrônicos, por exemplo, precisam estar estabelecidos”, observou o advogado.

 

ENTENDA O HOME OFFICE

Reforma trabalhista

Sancionada pelo presidente Michel Temer em julho deste ano, a reforma trabalhista altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ela entrará em vigor no dia 11 de novembro.

Home Office
O que é? É uma modalidade de trabalho remoto ou seja, fora da empresa. Hoje, utiliza como principais instrumentos o computador e o telefone para executar as funções, principalmente em áreas administrativas.
Como era? Desde 2011, a CLT prevê que não há distinção entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador e o praticado à distância, o que inclui o home office ou teletrabalho.

Dessa forma, a jurisprudência entendia, de modo geral, que o empregado em home office estava sujeito às mesmas regras dos demais trabalhadores, como, por exemplo, o controle de jornada.

Como fica com a reforma? A reforma trabalhista  trouxe uma regulamentação para esse teletrabalho, mudando a equiparação de condições no que se refere a alguns temas específicos.

Agora é prevista que o trabalho em home office não está mais sujeito ao controle de jornada.
Dessa forma, os contratos podem prever, por exemplo, que os serviços sejam executados pela produção e
não pela quantidade de horas que a pessoa está trabalhando. A prestação desse serviço deve estar prevista no contrato de trabalho.

Aditivo
Para quem já presta serviço na empresa, a mudança para o home office é possível, se houver acordo entre empresa e empregado e se for feito um aditivo em seu contrato.

Material 
Outra mudança diz respeito aos gastos com equipamentos e despesas para o trabalho. Embora houvesse divergência, a Justiça entendia que o empregador deveria arcar com os gastos. Com a reforma, a CLT passa a prever que essas despesas devem ser previstas no contrato.

Segurança 
Está previsto, ainda, uma exigência de que o empregador instrua seus funcionários quanto às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho.

Regras 

Aplicam-se aos trabalhadores em home office as mesmas regras destinadas aos demais, como aquelas
relativas à remuneração, às férias, ao 13º salário e outras.

 

 

Empresário Antonio Perovano. Foto: Dayana Souza

Empresário Antonio Perovano. Foto: Dayana Souza

Treinamento

Consultores de vendas da Serdel Serviços e Conservação e Vistec Serviços e Tecnologia estão sendo treinados para trabalhar em casa.
O empresário Antonio Perovano contou que a tecnologia será usada nas vendas. “Hoje o consultor vai ao encontro do cliente até três vezes por semana. Com a mudança, ele faz os contatos pelo telefone ou computador e marca uma visita, se o cliente achar necessário.”

 

 

Empresários têm receio de adotar as novas regras

 

Vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo  (FecomércioSP), Ivo Dall Acqua Júnior. Foto: Divulgação

Vice-presidente da Federação do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP), Ivo Dall Acqua Júnior. Foto: Divulgação

Depois de juízes e procuradores demonstrarem resistência em aplicar alguns pontos da reforma  trabalhista, por considerarem inconstitucionais, algumas empresas têm demonstrado maior receio de implementar parte das mudanças.
Na última quinta-feira, a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) publicou enunciados aprovados em um evento que reuniu mais de 600 juízes, procuradores e auditores fiscais do Trabalho. Esses enunciados seriam orientações para os magistrados com relação a alguns
pontos da reforma.
O trabalho intermitente é um dos pontos que podem não ser aplicados no primeiro momento em larga escala, ao menos até que haja uma regulamentação mais precisa do texto, afirma o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP), Ivo Dall Acqua Júnior. “É preciso fazer ajustes técnicos. Há algumas contradições que precisam ser esclarecidas pela medida provisória do governo. As empresas estão cautelosas”, afirma.
A implementação do banco de horas e da jornada 12 x 36 (12 horas de trabalho por 36 horas de
descanso) sem necessidade de acordo coletivo também não deverá ser adotada a princípio, de acordo com Carlos Augusto Pinto, do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares (Sinhores).  “É mais prudente que as empresas mantenham a negociação com os sindicatos”, destacou.

ADOTADOS
Parte das medidas consideradas menos polêmicas, ou que estão expressas de forma mais clara no texto da reforma, já será adotada. Especialistas apontaram que esse é o caso da prevalência do acordo coletivo sobre a legislação em casos como negociação de jornada de trabalho.
Categorias cujos acordos coletivos foram revistos recentemente fizeram renovações  provisórias, justamente para negociar, nos próximos meses, novos acordos que já contemplem as mudanças da reforma, disse Dall Acqua Júnior.

Escritórios com dias contados

 

Marcelo Lage. Foto: Fábio VIcentini

Sair de casa e ter como destino o local de trabalho. Essa rotina está com os dias contatos, pelo menos em algumas profissões. Especialistas dizem que a tendência é de que as empresas, em um futuro próximo, não tenham mais escritórios próprios.
Atividades feitas de casa ou em espaços coworking — modalidade de trabalho em que o profissional
divide o mesmo ambiente de trabalho com outras pessoas — terão cada vez mais adesão no Estado,
aliado às novas tecnologias.
Fundador da escola de inovação e empreendedorismo Statify, Marcelo Lage, acredita que o impacto
desse avanço tecnológico será em ritmos diferentes, ou seja, vai depender dos setores em que as pessoas trabalham. “No Estado, a economia gira muito em torno das grandes empresas âncoras. São empresas que produzem commodities em larga escala, exigem equipamentos caros, é tudo muito grandioso, que
não faz sentido o profissional ter em casa. De certa forma, a gente vai precisar ter a equipe operacional ainda trabalhando nesse local.”
A escritora e Master NeuroCoach em Liderança, Carreira, Business e Bem Estar, Marynês Freixo
Pereira, disse que a geração que está chegando no mercado de trabalho ou já está na faixa dos 30
anos não suporta ficar em uma cadeira ou ter horário para chegar e horário para sair.
“Com a tecnologia, hoje não se justifica mais a maioria das empresas ter um escritório ou as pessoas
terem que chegar na empresa para abrir o computador e trabalhar lá.”
Mas ela observou que isso não quer dizer que o contato com as pessoas será perdido. “Muito pelo
contrário, as vezes a gente está plugado 12 horas, 13 horas.”
Ela citou que existem alguns fatores que impedem que essa tendência se confirme em sua plenitude no momento. Um deles referese ao perfil de alguns gestores. “Tem líder muito inseguro que quer todo mundo ali debaixo do nariz deles. Quer dizer que ele tem que ver o cara entrar, bater o ponto, mesmo que ele fique quatro horas lá sem fazer nada. Mas esse líder não está focado em resultado”, disse Marynês Freixo Pereira.
A consultora de RH Rita Penzin também acredita que a tendência é ter menos pessoas trabalhando em
escritórios. “É uma cultura do brasileiro ter que ficar no escritório, mas acredito que o home office funciona muito bem para empresas de tecnologia, de consultoria e da área administrativa em geral.”

Disciplina para ter bom rendimento

Disciplina. Essa palavra vai nortear os passos que devem ser seguidos por aqueles que desejam
trabalhar em casa.
A escritora e Master NeuroCoach em Liderança, Carreira, Business e Bem-Estar, Marynês Freixo
Pereira, diz que é preciso ter disciplina para treinar o cérebro e evitar distrações. “Por exemplo, um profissional que tem de escrever um artigo, tem um deadline e não pode se distrair. Ele pode perguntar: ‘Como faço isso? Uma alternativa é desligar o celular e a televisão, não ficar vendo e-mail até terminar.
Assim, ele estará no controle da sua vontade”.
Mas, para estar nesse controle sem se distrair, é preciso que a pessoa tenha propósito, seja apaixonado pelo que faz e acredite que dará certo.
O fundador da escola de inovação e empreendedorismo Statify, Marcelo Lage, disse que um dos grandes desafios para trabalhar em casa é se adaptar a uma nova rotina.  “É preciso criar um espaço que facilite a ele essa transição entre o momento profissional e o momento da vida pessoal. Então, muitos especialistas recomendam até criar um espaço dentro da própria casa, um cômodo para fazer um
escritório ou uma cadeira que seja denominada a cadeira de trabalho.  Isso facilita uma transição entre o
profissional e o pessoal.”
A consultora de RH Rita Penzin frisou que os trabalhadores vão ter de se habituar a essa nova forma de trabalhar, já que terão de lidar com prazos para entregar as tarefas e a produção. “Essa é uma tendência, mas é um ponto que nem todos estão habituados. É possível perceber, pelas faculdades que ofertam  cursos a distância, que nem todos conseguem se adaptar”, revelou a consultora.

 

Eliane Proscholdt e Francine Spinassé




  • One thought on “Empresas vão liberar 1.500 para trabalhar em casa

    1. Fernanda

      Com as novas regras trabalhistas muitas empresas vão liberar seus funcionários para trabalharem em suas casas, como maior flexibilidade de horários, porém, como bem relata este artigo é preciso ter algumas cautelas para que essa nova forma de trabalho funcione adequadamente tanto para as empresas como para os fucnionários.

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