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sexta-feira 17 novembro 2017
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Maioria quer Lula atrás das grades

lula

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

A caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já percorreu estados da Região Nordeste e está no momento em Minas Gerais, no Sudeste. Contudo, o petista não vem, em 2017, ao Espírito Santo, onde 70,5% do eleitorado da Região da Grande Vitória querem sua prisão, segundo pesquisa da Faculdade Pio XII.

O estudo foi realizado nas cidades de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, entre os dias 5 e 9 de outubro, e apontou que Lula, na visão de 74,5% dos 600 eleitores consultados, é culpado pelos crimes dos quais é acusado.

Segundo o estudo, 72,83% pensam que Lula deveria ficar inelegível para o pleito de 2018. A pesquisa é do Centro de Pesquisa Rachid Mohamd Chibib, da Faculdade Pio XII, e tem confiabilidade de 95%.

Das quatro cidades pesquisadas, o eleitor de Vila Velha é o que mais pede a prisão de Lula (87,5%) e o que mais quer vê-lo inelegível (95,24%). Quem mais acredita na culpa do petista diante de supostos crimes é o cidadão da capital (78,71%).

Lula é acusado de ser o beneficiário de um terreno (para abrigar a nova sede do Instituto Lula) e uma cobertura, no mesmo prédio em que mora, em São Bernardo do Campo (SP), bancados pela Odebrecht. Ele também é acusado de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró; de ter favorecido a Odebrecht no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); da venda de Medida Provisória e da compra de aviões caças suecos; e de ser dono de um sítio em Atibaia (SP), reformado por empreiteiras.

Em 12 de julho deste ano, o petista se tornou o primeiro ex-presidente da República condenado por corrupção na história do Brasil. Ele foi sentenciado a nove anos e meio de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos de primeira instância da Operação Lava a Jato, em Curitiba (PR).

Moro considerou Lula culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex, no Guarujá (SP). Segundo acusação, o imóvel teria sido reservado ao petista pela empreiteira OAS, que teria empenhado R$ 2,4 milhões na reforma.

Coser: “Ele vai concorrer”

Coser. Foto: Kadidja Fernandes

Coser. Foto: Kadidja Fernandes

O presidente estadual do PT, o ex-prefeito de Vitória João Coser, disse que a rejeição a Lula é fruto de uma campanha contra o petista e que o ex-presidente irá disputar a eleição de 2018.

“A campanha de Lula tem de ser trabalhada. Ele vai trabalhar e tenho certeza de que vai disputar a eleição com muitas chances de ganhar, exatamente pelo passado dele e pelo que ele ainda pode fazer pelo Brasil”, acredita Coser.

Para o ex-prefeito, Lula sofre com um sentimento geral da população quanto à situação caótica do Brasil em termos políticos. “Eu acho que isso é uma pesquisa de sentimento generalizado no momento em que ela foi feita: no meio de denúncias contra Temer, no meio de Lava a Jato, ameaças contra a Lava a Jato. E Lula não é imune a esse sentimento. Ele é adorado por uma parte da população, mas tem também rejeição de parte da população”, ressaltou João Coser.

Crise Política

Crise Política

Mais de 92% não confiam em Temer

O professor Robson Carlos de Souza, coordenador da pesquisa, e alunos da Faculdade Pio XII. Foto: Dayana Souza

O professor Robson Carlos de Souza, coordenador da pesquisa, e alunos da Faculdade Pio XII. Foto: Dayana Souza

O presidente Michel Temer (PMDB) também não é bem avaliado pelo eleitorado da Grande Vitória: 92,33% dos entrevistados não confiam no peemedebista, outros 95,67% acreditam nas denúncias de corrupção feitas contra o Presidente e 93,33% reprovam a forma como ele conduz o País.

Para o coordenador da pesquisa da Faculdade Pio XII, o professor Robson Carlos de Souza, o Presidente é encarado como uma pessoa da elite, o que ajuda a justificar tamanha impopularidade e desconfiança.

“Na cabeça de muita gente, a rejeição ao Temer, que vem do outro lado (de quem defende Lula), é de razão econômica porque as pessoas o caracterizam como elite da sociedade, porque ele está no PMDB e tem toda uma ‘aparência’ diferente do Lula, por exemplo, que é das massas”, disse Robson.

Esse ponto de vista é compartilhado pelo líder da Maioria na Câmara, o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB). “Temer nunca foi um político de massa, de densidade. Sempre foi vinculado a mandatos proporcionais (deputado federal) ou à Vice-presidência em uma aliança partidária”, disse.

Lelo votou pelo arquivamento das duas denúncias da Procuradoria-Geral da República contra Temer – a primeira por corrupção passiva, suspensa em agosto, e a segunda por obstrução da Justiça e organização criminosa, barrada na última quarta-feira. “Seria muito fácil ir lá, fazer uma frase de efeito, dar um chute no balde e ser aplaudido, mas eu tenho responsabilidade. Se o pedido de afastamento se materializa, teríamos seis meses de governo de transição com o presidente da Câmara (Rodrigo Maia – DEM /RJ )”, disse Lelo, argumentando seu voto.

Segundo o professor titular de História Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chico Teixeira, toda a classe política está desacreditada. “É a pior crise política da República. As instituições não funcionam e os grandes nomes da classe política estão atolados em corrupção”.

“Sensação de impunidade é menor”

Luciano Flores. Foto: Fernando Ribeiro

Luciano Flores. Foto: Fernando Ribeiro

O delegado executivo regional da Polícia Federal no Espírito Santo, Luciano Flores de Lima, atuou por dois anos na Lava a Jato, operação que, na sua visão, tem dado respostas positivas à sociedade, sem distinção de partidária.

“Isso demonstra a seriedade das investigações, a imparcialidade, já que são políticos de todos os níveis ideológicos. Ela diminuiu um pouco a sensação da impunidade que a sociedade tinha diante de tantos casos de corrupção e de pessoas que não eram presas”, afirmou.

Ainda segundo Luciano, 603 pessoas foram ou são investigadas pela Lava a Jato, entre políticos com foro privilegiado e pessoas conexas a eles, apenas no Supremo Tribunal Federal (STF). “Para nenhum de nós da força-tarefa, era possível prever um número tão grande de investigados e políticos de todos os níveis do Brasil, do vereador ao ex-presidente da República”, disse o delegado.

Luciano aponta uma redução no número das investigações, mas não sabe precisar quando a Lava a Jato terá fim. “Não é possível ter uma data certa, mas é possível constatar que boa parte dos casos já foram investigados”, concluiu.

 

“Difícil afirmar se Lula resistirá à pressão”

Paulo Edgar, Doutor em Ciência Política e professor de Sociologia Política

Paulo Edgar, Doutor em Ciência Política e professor de Sociologia Política

“O fenômeno da rejeição ao Lula deve ser entendido como rejeição à própria esquerda, uma vez que o ex-presidente é tido como principal ícone da esquerda brasileira. Após quatro mandatos seguidos

do PT na Presidência, finalizados com grave crise política, econômica e ética, não se deve estranhar que o partido seja considerado o pai de todos os males.

A oposição tem aproveitado essa decepção e fadiga condenando a esquerda e seu líder mais popular como os culpados de todos os principais problemas do País. Pelo o que se ouve em discursos de políticos que se apresentam como anti-petistas, parece até mesmo que antes do Lula chegar à Presidência sequer havia corrupção no País.

Se Lula resistirá a essa pressão, em que pesa também sérias acusações de corrupção, é difícil afirmar, pois dependerá do andamento de seus processos judiciais e da percepção do cidadão comum sobre as reformas promovidas pelo governo do presidente Michel Temer, apoiadas consensualmente pelos anti-petistas ”.

 

“As próximas eleições não trarão surpresas”

Rivelino Amaral, Conselheiro da OAB -Especialista em Ciências penais e docência superior Advogado criminalista e eleitoral – Professor de Direito

Rivelino Amaral, Conselheiro da OAB -Especialista em Ciências penais e docência superior Advogado criminalista e eleitoral – Professor de Direito

“A situação política e processual de Lula e Temer se assemelham: ambos estão com pouca ou nenhuma credibilidade no meio social, e ambos estão em apuros, no que diz respeito às acusações e processos.

Lula vem tentando se livrar de uma ou outra acusação, sempre se utilizando da mesma estratégia, qual seja, não sei, não sabia ou não é meu. A grande diferença entre os dois é que Temer está com a máquina do Estado, tem o poder nas mãos e dinheiro para injetar em deputados e senadores que se curvam.

As próximas eleições não trarão surpresas. Será o mesmo, trazido de forma diferente, como café requentado em xícara suja.

As opções serão semelhantes, não obstante a impossibilidade de candidatura daqueles que já têm sentença condenatória, confirmada em segundo grau, ou seja, aqueles que só foram condenados em primeiro grau, como se isso fosse pouco, poderão concorrer com aqueles que nunca foram presos ou processados. Que saibamos tomar o nosso café, mesmo requentado, mas que olhemos se a xícara esta muito suja!

 

Erick Avelar




  • 2 thoughts on “Maioria quer Lula atrás das grades

    1. Marcelo Renato Ribeiro Antunes

      A questão não é apenas ver o fanfarrão atrás das grades por antipatia. O problema é que o elemento é um criminoso, assim como a maioria esmagadora de nosso políticos que têm os seus processos engavetados no STF. Urge a necessidade de se acabar com o foro privilegiado. No Brasil não há democracia porque nem todos são iguais perante a lei. Se assim fosse, não haveria o dito cujo foro privilegiado. Pesquisas recentes mostram que num país com cerca de 200 milhões de habitante apenas 1,4 milhão (0,7 %) detém a riqueza (o dinheiro) existente, em suas mãos. Entre eles encontram-se empresários, ministros, políticos em geral, juízes, advogados, médicos, entre outros. Lula é um deles. Devemos estar alertas à corrupção dentro do Judiciário, principalmente no STF. Isto está passando despercebido. Mas, é algo natural porque é inadmissível que um ministro de uma Instituição que é a última para a resolução de problemas no país seja indicado pelo executivo. Eles estão nas mãos da classe política, não há independência. Estes ministros deveriam ser eleitos pelo povo por meio do voto direto, assim como deputados, senadores, presidente, prefeito, etc. Somente dessa forma teremos uma suprema corte independentemente, e isso é demasiadamente importante para o pais.

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    2. José do carmo de souza

      Não só lula atras das grades,mas toda essa corja de ladões que estão em brasilia.

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