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domingo 17 dezembro 2017
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Mulheres com mais de 40 em busca da maternidade

Atualmente, no Estado, aproximadamente 50 mulheres nessa faixa etária estão fazendo fertilização in vitro para engravidar

Recentemente a cantora Ivete Sangalo anunciou que está grávida de gêmeas. Em entrevista, a cantora de 45 anos disse que tentou até o último momento engravidar pelo método tradicional, mas acabou recorrendo à fertilização in vitro e que havia congelado o óvulo antes.

Assim como Ivete, neste ano, aproximadamente 50 mulheres do Estado com mais de 40 anos passaram pelo mesmo procedimento para realizar o sonho de ser mãe.

Segundo o médico Jules White da clínica de medicina reprodutiva que leva seu nome, o número de mulheres que optam por engravidar mais tarde tem aumentado no Brasil e no Espírito Santo.

Essa escolha, segundo ele, é principalmente por conta da mudança na rotina de vida das mulheres.

“Hoje em dia as mulheres precisam trabalhar e estudar. Elas são uma parte importante da economia familiar, o que faz com que ela adie os planos de engravidar”, avalia o médico.

White acrescentou que não é impossível que uma mulher engravide naturalmente após os 40 anos, mas que as chances são menores.

“As chances de engravidar naturalmente a partir desta idade são de 3 a 5%. O ideal é que as mulheres que tenham chegado aos 33 anos e ainda não tenham a perspectiva de engravidar congelem os óvulos para que futuramente elas não tenham dificuldades ao passar pelo procedimento de fertilização in vitro”.

O médico Carlyson Moschen, do centro especializado de reprodução humana Unifert, disse que as mulheres devem ficar atentas quanto à idade.

Com a maturidade, segundo ele, além do percentual de reprodutividade feminina diminuir, uma gravidez poderá ser considerada de risco.

“Em uma gravidez mais madura, o parto pode ser prematuro, a mãe pode ter diabetes gestacional e também hipertensão da gravidez”, explica Moschen.

O médico acrescentou ainda que mulheres que engravidam nessa idade precisam de uma atenção especial durante os exames de pré-natal. “É para evitar complicações maiores”, explicou o especialista.

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Cultivo de embriões

O que é a fertilização in vitro

  • – A fertilização in vitro (FIV) é uma das técnicas utilizadas para o tratamento da infertilidade que envolve o uso de hormônios indutores da ovulação, a captação dos óvulos da paciente e posteriormente a fertilização destes óvulos por um espermatozoide num laboratório sob condições de temperatura e cultivo que simulam o organismo feminino.
  • – O embrião formado após este processo é cultivado em laboratório por alguns dias e transferido ao útero da paciente com o intuito de obter a gravidez.
  • – Comparado aos métodos naturais para engravidar a FIV apresenta uma chance muito maior, porém nem sempre a tentativa de engravidar ocorre no primeiro tratamento proposto.
  • – Normalmente as chances de sucesso estão ligadas à idade do óvulo, também passam pelo processo de envelhecimento celular. Mulheres até 35 anos têm 60% de chances de engravidar. Enquanto mulheres entre 35 e 38 anos as chances caem para 37%, e continuam a baixar para 30% até os 40 anos, posteriormente passando para 18% a partir dos 40 anos.
  • -Atualmente, esses tratamentos, em média, custam de R$ 8 a R$ 10 mil.

Clínicas que oferecem o tratamento no Estado

  • – Jules White Medicina Reprodutiva

Endereço: avenida Des. Santos Neves, 165, Santa Lúcia, Vitória. Telefone: 2104-6200.

  • – Unifert Centro Avançado de Reprodução Humana

Endereço: rua Dr. Freitas Lima, 93, Centro, Vila Velha Telefone: 3200-4818.

  • – Biofert Centro de Reprodução Humana

Endereço: avenida Paulino Muller, Ilha de Santa Maria, Vitória. Telefone: 3223-5923.

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Aumenta a procura por tratamentos

Fertilização in vitro: em clínicas do Estado existem atualmente 1.314 embriões congelados. Foto: Divulgação

Um recente levantamento de dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostra que entre 2011 e 2016, o número de fertilizações in vitro realizadas no Brasil aumentou 149,79%.

No País, o total de procedimentos saltou de 13.527 para 33.790. Já no Espírito Santo, o aumento registrado do número de fertilizações in vitro foi de 10,67%.

De acordo com médico especialista em reprodução humana assistida da Clínica Matrix, Marcos Moura, responsável pelo levantamento, este aumento reflete principalmente o novo comportamento das mulheres que cada vez mais optam por adiar a gravidez para uma idade mais madura.

“Muitas mulheres querem postergar a gravidez para idade mais madura, e adotam a prática de congelamento de óvulos, a fim de garantir que estes sejam saudáveis quando forem implantados no futuro”, explicou

Além disso, o médico ressaltou que o aumento de clínicas especializadas que oferecem este tipo de tratamento no Brasil, as mudanças nas regras do Conselho Regional de Medicina, e a redução nos custos do tratamento, também são fatores que contribuíram para este aumento.

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Reportagem especial de Tainá Campos para o jornal A Tribuna do dia 18/09/2017




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