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terça-feira 22 agosto 2017
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“Não sabem perder?”, pergunta Jair Ventura após confusão com uruguaios

Igor Rabelo disputa bola no jogo contra o Nacional do Uruguai. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

O Botafogo venceu o Nacional, do Uruguai, por 2 a 0 nesta quinta-feira (10) e avançou para as quartas de finais da Libertadores. Os uruguaios, porém, não demonstraram espírito esportivo com a derrota. Já no fim da partida, dentro de campo, eles distribuíram agressões e acumularam três expulsões – Polenta, Rodríguez e Aguirre.

O exemplo foi levado para as arquibancadas. Os torcedores do Nacional repetiram a violência e depredaram as cadeiras do Estádio Nilton Santos. Cerca de dez foram jogadas para a pista de atletismo até que a polícia intervisse com gás de pimenta e luta corporal.

“É inadmissível que em 2017 só saibam ganhar. Aconteceu a mesma coisa com o Peñarol [do Uruguai] e o Palmeiras. Não sabem perder? Está cheio de criança aqui no estádio, e elas têm que ver isso? Não acaba em nada, não pode isso, eles [os torcedores] precisam ser exemplos. Conheço poucas pessoas tão competitivas quanto eu, mas sei perder”, reclamou Jair Ventura.

O Botafogo também teve um jogador expulso em meio a confusão, o lateral-esquerdo Victor Luis.
“Perdemos o Victor Luis por isso, ele caiu em provocação porque é homem. Mas é complicado, feio, não precisa disso. Violência está aí no mundo, são sempre as mesmas pessoas. Perder e fazer essa vergonha? Tem que acabar isso”, desabafou Jair Ventura.

Rodrigo Pimpão seguiu o mesmo caminho. O atacante lamentou o ocorrido e disse que tudo começou por conta das atitudes dos jogadores do Nacional em campo.
“Dizem que a Libertadores tem um clima diferente. E a Champions League, não tem? Não quisemos entrar em provocação. O cara [Aguirre] deu uma chegada no Guilherme que não existe.

Foi expulso direto, está certo. Logo em seguida a torcida começa a quebrar nosso estádio. Nossa torcida foi lá e fez papel dela. Estávamos até falando que estavam cantando quando perderiam de 2 a 0 e já no fim. Estava bonito. Aí depois fazem esse tipo de coisa. Complicado e lamentável. Queremos paz nos estádios”, concluiu Pimpão.

Agora o Botafogo terá o Grêmio pela frente nas quartas de final da Libertadores. Além da competição internacional, o time alvinegro também encara o Flamengo na semifinal da Copa do Brasil. O time volta a campo no domingo (13), quando medirá forças com o Grêmio, mas pelo Campeonato Brasileiro.

Um azarão contra o Grêmio?

Um time guerreiro, solidário, forte, valente e que conta com o apoio de sua torcida. O Botafogo mais uma vez foi assim na Conmebol Libertadores Bridgestone para eliminar o Nacional (URU) e chegar às quartas de final. Após a vitória por 2 a 0, nesta quinta-feira, o técnico Jair Ventura fez questão de dividir os méritos com todos.

Ao lado de Rodrigo Pimpão, ele concedeu entrevista coletiva e abordou diversos assuntos. Confira os principais trechos:

TORCIDA

– A gente não se apega aos tabus. Mas automaticamente com o bom rendimento vamos quebrando eles. Essa felicidade é para essa torcida maravilhosa, que fez essa festa. Seria frustrante não conseguir a classificação com mais de 40 mil presentes. Foram nosso 12º jogador.

– A torcida ajuda muito, empurra. Quando está parado, te levanta. Combinamos de entrar muito forte para não levar gol logo no início, para não perdermos a vantagem. Automaticamente fizemos os gols. Sentiram nossa pressão, volúpia e vontade. Isso é importante. Eles vieram para cima porque precisavam do resultado, fomos de maneira organizada e com muita determinação, facilitou nossa classificação.

RÓTULO DE AZARÃO

– Não tem que ficar chateado de não nos colocarem como favoritos, por orçamento. Tem orçamento versus trabalho, equiparamos com trabalho. Estamos em todas as competições, como o Grêmio. Queremos ganhar não para provar nada a ninguém, jogamos para fazer o nosso melhor independentemento do que acham.

JEFFERSON OU GATITO

– Jefferson virou um grande amigo, ficou fora três jogos por lesão, seria arriscado colocar ele sem sequência de jogos. Goleiro seria o Gatito, porque vejo o presente. Jefferson tem história linda, presente também. Mas vejo que o momento, principalmente na competição, é do Gatito. Roeu o osso lá atras. A escolha é pelo ano. Não o credencia de ser titular absoluto, ninguém aqui tem vaga assim. Se fizer isso, os outros jogadores param de lutar e se entregar. Está em aberto ainda.

VIOLÊNCIA NO FIM

– É inadmissível em 2017 só sabermos ganhar. Foi a mesma coisa o Peñarol com Palmeiras, é esporte, exemplo para crianças. Pior qiue Não acaba em nada. Sou o cara mais competitivo, mas tem que saber perder. Perdemos Victor por causa deles, é homem, tem sangue, tentou sair. É feio, futebol não precisa disso. Violência está aí no mundo todo, esporte não precisa ter. Isso é uma vergonha, tem que acabar.

BOTAFOGO AVANÇANDO E OUTROS BRASILEIROS SAINDO

– É meio chato fazer comparativo, não gosto de falar de companheiros. Todos querem passar de fase. Sabemos diferença de investimento, mas lá nos outros clubes também têm trabalho. Seria desrespeito fazer comparação agora que classifiquei. Prefiro focar na nossa equipe, fizemos grande jogo. Passamos por cima das dificuldades com muito trabalho. Foi um grande jogo, com a cara do Botafogo, muita entrega e luta. Ter elenco maior ajudaria, mas temos que entender a situação do Botafogo. Saiu da Série B em 2015, chegou à Libertadores ano passado. O número de sócios passou de 6 mil para 35 mil, isso é gratificante para nós. A grande chance de ganhar títulos é estar sempre chegando, bater todo ano ali, sócios aumentam, dinheiro, estrutura, vai sempre brigar.

CONFIANÇA NO GRUPO

– Quando perde jogos, grupo é o mesmo. No próximo jogo, eles que vão jogar e ajudar a equipe. Não tem segredo, aqui se trabalha bastante. O grande diferencial são eles. O próprio Pimpão muitas vezes vira meia, acompanha lateral porque eu peço, abdica de atacar porque é jogador tático. Tem futuro brilhante, além de gols decisivos, é excelente taticamente. Sei muito bem o que pode entregar para a equipe. Aproveito para parabenizar o meu grupo.

– É vivência e clima leve. Perdemos um jogo, falaram de cinco jogos sem vencer no Brasileiro. Aqui não tem caça às bruxas, é equilíbrio, pensar nos desafios. Eram 44 anos sem o Botafogo passar, perdemos e ganhando, temos que saber conviver. Somos profissionais remunerados para isso, para ter equilíbrio e levar o Botafogo o mais longe possível.

– O grande diferencial do time é a solidariedade, um pelo outro. Perder a bola, voltar para recompor. Me preocupa, posso escalar mal, demorar a mexer, mas do meu caráter não podem falar. Estou completando um ano como técnico, não sou o melhor do mundo, mas sou justo. Sou um espelho. Tentamos corrigir. Faz parte do gestor de pessoas. Quando vemos um grupo solidário é muito gratificante.

CONFRONTO COM O GRÊMIO NAS QUARTAS

– Vejo o Grêmio como o melhor futebol do Brasil hoje. Tem Corinthians no Brasileiro, mas Grêmio é mais vistoso e envolvente. Equipe muito boa. Teremos muito trabalho para parar essa equipe. É mais um campeão, mais uma vez somos azarões, mas vamos lá, fazer o nosso melhor e ver como termina essa situação.

Texto: Danilo Santos (Botafogo).

Informações da Folhapress.




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