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domingo 22 outubro 2017
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O sucesso dos homens prendados

Raphael participa ativamente do dia a dia da filha Mariana. Foto: Dayana Souza / AT

Eles estão longe do perfil do “homem machão” e dividem com as mulheres as tarefas da casa e assumem a criação dos filhos

Eles são gentis, atenciosos, carinhosos, prestativos, prendados e dividem as tarefas de casa e da educação dos filhos. Uma nova geração de homens no estilo Rodrigo Hilbert tem chamado a atenção das mulheres

O ator e apresentador ficou famoso ao cozinhar, cuidar dos filhos, ser carinhoso e respeitoso com sua mulher, a apresentadora Fernanda Lima, e ainda ajudar na manutenção e na limpeza da casa.

A psicóloga Dayse Victória Hoffmann afirmou que o perfil Hilbert diz respeito ao companheiro que se responsabiliza igualmente com os cuidados de um lar. “Com essas características, como não fazer sucesso em uma sociedade em que a maioria das mulheres encara a dupla jornada e ainda têm de conviver com o machismo?”

A reportagem de A Tribuna conversou com homens considerados por suas mulheres, familiares e amigos com o perfil Rodrigo Hilbert para conhecer suas rotinas.

O editor de imagem Raphael Teixeira, 32, tem uma filha de 9 anos, a Mariana. Ele cuida da limpeza da casa, cozinha, leva a filha na escola e no balé e ajuda no dever de casa.

“Hoje ela mora comigo de segunda a quinta-feira e durante o dia, enquanto eu trabalho, ela fica com uma babá na casa da mãe dela. Não acho que faço nada demais. Não é mais do que nossa obrigação de pai cuidar e dar carinho, sair para ir ao cinema, curtir com ela.”

O professor de Educação Física e pastor Pedro Muniz, 29, divide as tarefas e os cuidados com os filhos com a mulher, a psicóloga Lorrayne Muniz, 29. Quando tiveram o terceiro filho, Téo, de 2 meses, não deu tempo de chegar ao hospital e Pedro precisou fazer o parto na sala.

Além disso, ele contou que busca as crianças na escola, sempre almoçam juntos e passeia com eles e com a cachorra Branca.

“Eu sou atencioso, mas posso melhorar muito. Procuro ser próximo, ser carinhoso com minha esposa, ter tempo para nós dois. É um esforço diário para manter a aliança que fizemos. ”

O empresário Thiago Batista, 34, adora cozinhar para a namorada e já até teve uma horta em casa. Fã do Rodrigo Hilbert, Thiago não perde o programa de culinária.

“O que ele faz deveria ser considerado padrão, mas a nossa sociedade é muito machista e conservadora. No meu namoro, um sempre ajuda um ao outro. Viver isso é maravilhoso. Tudo melhora. Até mesmo a química”, revelou.

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Minha mulher é guerreira”

O consultor de empresas Guilherme Boaventura, 38, casado com Fabíola Boaventura, 36, contou que, desde que a filha Maria Eduarda, de 1 ano, nasceu, ele busca ajudar ao máximo na criação dela e também nas tarefas.

Ele prepara a comida, estende e recolhe as roupas e também passa.

“Na limpeza, não dá para ajudar, pois trabalho o dia todo, mas minha mulher é uma guerreira e uma mãe surpreendente. Dizem que sou um ‘paizão’ e ‘maridão’, mas não vejo assim. Acho que é o mínimo. Elas são meu combustível diário.”

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Gosto de dividir as tarefas”

O técnico em telecomunicações Washington Renato de Oliveira, 33 anos, também faz questão de ser presente na criação dos filhos Richard Henrique, 14, Ana Luiza, 3, e Davi, 11 meses, que tem com sua mulher, a esteticista Cleide Aparecida Pereira, 34.

“Amo estar com os meus filhos, fazer programas em família. Sou um quebra-galho e ajudo na cozinha, aprendi com vídeos no YouTube. Funciona assim: ou eu cozinho e ela toma conta dos filhos ou vice-versa. Gosto de dividir as tarefas de casa, para não sobrecarregá-la.”

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Carisma

O homem no estilo Rodrigo Hilbert é carismático, simpático, se mostra gentil, bom ouvinte e prestativo e é dotado de muitas habilidades, como cozinhar, consertar equipamentos dentro de casa, resolver problemas de maneira geral.

Família

Esse grupo também demonstra zelo e cuidado com sua família e sua mulher, costuma ser atencioso, amoroso e carinhoso, o que gera sentimento de segurança nas mulheres.

Rodrigo Hilbert faz sucesso na internet. Foto: Divulgação

Filhos

Buscam sempre participar ativamente na criação dos filhos, como levar e buscar na escola, ajudar no dever de casa, dar comida, trocar fraldas, passear, entre outros, que realmente cumprem seu papel de pai.

Divisão de tarefas

Esse novo homem entende como necessária não apenas a sua ajuda na hora de arrumar a casa, cuidar dos filhos e resolver problemas, mas sim acredita ser preciso uma divisão das tarefas para não sobrecarregar a sua mulher, que também trabalha fora.

Masculinidade

o homem à la Rodrigo Hilbert não está preocupado em demonstrar sua masculinidade, já é bem-resolvido, e não se importa em demonstrar que também chora e tem medos, sonhos e paixões.

Fonte: Especialistas consultados.

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Parceria para a mulher moderna

Desde a década de 1980, a maioria das mulheres decidiu entrar no mercado de trabalho. De lá para cá, o papel da mulher tem se transformado.

Especialistas afirmam que a mulher moderna busca também uma nova configuração no relacionamento amoroso. Elas desejam alguém que as apoie e seja parceiro. Segundo psicólogos, os pais de homem e mulher estão em constante mudança.

Para a psicóloga Patrícia Abu Kamel, a mulher moderna deseja alguém que compreenda a importância do companheirismo.

“Ela precisa de apoio, parceria, alguém que realize tarefas não para ajudá-la, mas porque entende que a responsabilidade de concretizar as tarefas do lar pertence a todos que ali estão, o que muda de ser ajuda para ser parceria. Dividir as atribuições gera sentimentos de gratidão, empatia, o que só tem a favorecer na relação, que terá até mais tempo para momentos a dois.”

A psicóloga e professora da UVV Cláudia Pepino afirmou que a nova mulher demanda uma reconfiguração do papel masculino.

“O novo modo de ser da ala masculina ainda não se estabeleceu totalmente e o modelo antigo não serve mais. Por isso alguns autores nominam nosso período como desmapeamento. Por isso coabita no cenário atual modelos antigos/tradicionais no estilo machão e no estilo Rodrigo Hilbert.”

A psicóloga do Viver Bem, da Unimed Vitória, Náira Delboni, frisou que as mulheres vêm cobrando dos homens uma mudança de postura no relacionamento.

“A maioria dos homens ainda foi criada para ser o provedor. Eles precisam de tempo para aprender e estão começando a se adaptar a esse novo formato social. O diálogo entre o casal é muito importante.”

As especialistas são unânimes em dizer que ainda não há uma maioria na sociedade com o novo perfil de homem, à la Rodrigo Hilbert, e que ainda não é possível imaginar o fim do machismo.

“Estamos ainda muito no início do caminho dessa igualdade, afinal essa crença de superioridade masculina perdurou por muito tempo e é através da educação que estaremos em constante evolução nesse processo”, ressaltou a psicóloga Dayse Victória Hoffmann.

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Cuidado até com os cabelos dela

O distribuidor de cosméticos Celso Dias, 42, sempre divide as tarefas com a mulher, Fabiula Broedel, 39, auxiliar administrativa.

“Temos três filhos, Déborah e Davi, de 9 anos, e Brendon, de 18. Então, dividimos todas as tarefas. Arrumo a casa, faço as refeições com minha esposa de noite e, no almoço, apronto algo se precisar e dou comida a eles. Depois levo para a escola.”

Como ele é da área da beleza, fez cursos de formação e também já fez luzes nos cabelos da mulher, escova e corte. “Como temos uma vida corrida, ela vai ao salão, mas sempre que possível eu cuido dela”, salienta.

Para ele, a família é um time.

“Eu divido as tarefas para não sobrecarregar minha esposa e para estar perto dos meus filhos. Todos ganham.”

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Adolescente de 13 anos famoso por fazer crochê

Junior Crocheteiro tem milhares de seguidores em suas redes sociais. Foto: Divulgação

Um adolescente de 13 anos faz sucesso nas redes sociais da internet por ensinar a fazer crochê. Junior Silva, conhecido como Junior Crocheteiro é seguido por mais de 195 mil pessoas no Facebook e mais de 32 mil no YouTube.

Fã do ator e apresentador Rodrigo Hilbert, que teve uma foto vazada em junho onde fazia crochê, ele fez um desafio. “Quero ver se ele consegue fazer mais rápido do que eu”, brincou Junior ao dar entrevista a um jornal nacional.

Ele mesmo faz seus vídeos para ensinar a técnica do artesanato. Recentemente, antes de completar 13 anos, ele teve sua página no Facebook removida. Segundo as regras da rede social, uma pessoa só pode administrar páginas se tiver mais de 13 anos. Ele tinha há alguns meses 50 mil seguidores.

A mãe Denise Vieira, 32, controla a nova conta. Para ela, o crochê é uma forma de levantar a autoestima do filho.

“Ele ficou muito arrasado por perder a página. Queria até desistir e falou pra mim: ‘Mãe, eu não vou mais fazer’. Mas depois que ele viu o sucesso da nova página, ficou todo feliz”, disse Denise.

Junior, três irmãos e a mãe moram em Iaras, São Paulo, cidade com cerca de 7 mil habitantes.

“Todo mundo me liga para elogiar.” Mas muitos criticam. “As pessoas não entendem que ele só pega o crochê quando vai gravar um vídeo. Fora isso, ele brinca, vai à escola, faz as coisas normalmente.”

O interesse pela técnica de costura começou quando o menino viu a tia e a avó trabalhando com as agulhas. “Ele pediu para elas ensinarem e, em pouco tempo, já tinha aprendido. Nós achamos que era ‘fogo de palha’ e logo ele ia largar.”

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Casais passaram por mudanças culturais. Foto: Divulgação

Mulher moderna

A mulher moderna não cuida somente da casa e dos filhos, como também são gestoras, diretoras e empresárias bem-sucedidas. O homem não é mais o único provedor e a mulher se emponderou e consegue expor seus anseios na relação.

Então, o cenário requer mudanças não somente do homem, mas como de toda família, que precisa compreender sua ausência quando ela está no horário de trabalho e da necessidade de serem mais colaborativos diante dessa nova mulher que naturalmente vai ficando mais seletiva e exigente.

Há hoje uma mudança no conceito de família e a transformação do “masculino” e do “feminino” e da divisão de papéis. Trata-se de uma revisão de valores e este cenário demanda debate e socialização diferenciados das crianças, meninos e meninas.

Igualdade

À medida que acontecem essas mudanças culturais, que a consciência do machismo é estabelecida e que a luta por igualdade se torna crescente, a busca por um parceiro de vida muda.

Fonte: Especialistas consultados.

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Reportagem especial de Kelly Kalle para o jornal A Tribuna do dia 01/10/2017




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