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segunda-feira 18 setembro 2017
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Rita Cadillac comemora transformação e duela com Gretchen

Rita Cadillac, comemorando 63 anos em São Paulo. Foto: Deividi Correa/AGNews

De um lado do ringue, a musa do Carandiru. Do outro, a rainha do bumbum. “Nos encontramos de novo, né Maria Odete”, a primeira provoca. “O que essazinha está fazendo aqui?”, questiona a segunda.

Duas musas dos anos 70 e 80 se enfrentaram em um comercial e a internet foi à loucura. Na vida real, Rita Cadillac, a musa do Carandiru garante que não há rivalidade com Gretchen e, se houvesse, a chance de levar a pior no duelo é enorme.

“Acho que não sei brigar”, conta ela às gargalhadas.

A mais famosa chacrete do Cassino do Chacrinha também garantiu que não passam de boatos as notícias de que ela e a rainha do bumbum são rivais.

“Almoçamos juntas durante as filmagens (do comercial do seriado “Glow” da Netflix, veja abaixo) e eu brinquei que todo mundo ia voltar a falar que a gente não se dá. E rimos muito disso. A verdade é que eu e Gretchen nunca brigamos”, conta.

Na conversa com A Tribuna, Rita também falou sobre sua recente transformação. A convite de um programa de televisão, a dona do hit “É Bom para o Moral” repaginou o visual: colocou facetas de porcelana e fez clareamento e implantes nos dentes, aspirou a papada, corrigiu as pálpebras, trocou as próteses de silicone dos seios e fez um minilifting no rosto. Ainda emagreceu 15 quilos.

“Sou uma nova mulher, uma nova Rita Cadillac. Melhorei muito. Porque a gente fica com outro humor, né, nêga? Uma rejuvenescida dessas mexe com o humor, com a vontade de trabalhar, com tudo”, garante a loira de 63 anos.

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Veja o comercial com a participação das “rivais”

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Entrevista com Rita Cadillac

Passou por uma transformação. Como foi isso e por que topou?

Querer, eu nunca quis. A verdade é que eu sou uma pessoa que não gosta muito desse negócio de fazer plásticas. Não gosto mesmo. Mas, um belo dia, eu estava falando comigo mesma que precisava perder uns 3 ou 4 quilos. Então aconteceu de ser convidada a fazer uma transformação. Pedi alguns dias para pensar melhor. Uns 20 dias dias depois eu topei, desde que eu pudesse conversar com todos os profissionais envolvidos.

Por que tanto cuidado?

Por que eu tenho 63 anos e não quero parecer ter 20. Eu só tinha feito implante de silicone nos seios até então. E fiz porque, na época, ganhei a cirurgia. Senão não teria feito. (Risos)

Tinha medo?

Medo? Eu tenho é pavor! (Risos) Eu morro de medo de cirurgia. E eu nunca quis fazer nada que mudasse o meu rosto, a minha fisionomia. Gosto de mim como eu sou. Só que, claro, vi que poderia fazer alguns procedimentos que me tirariam alguns anos. Não tenho a intenção de ficar com carinha de menina de 20 anos. Tirar uns 5 já me satisfaz, já está de bom tamanho.

Também perdeu peso e o resultado foi mais do 5 anos a menos. Concorda?

Nêga, eu achava que tinha que perder 4 quilos. Só que a nutricionista me pediu para perder 9. Em 48 dias. E para completar a história, me falaram “duvido que você consiga perder 9”. Aí pronto, né? Porque eu não gosto que duvidem de mim. Não fale “eu duvido” para mim, porque aí é que eu me desdobro. Perdi 11 quilos em 48 dias. E desde então já perdi mais 4. Quando eu vi o resultado final, vi que tinha rejuvenescido mais do que esperava. A ficha caiu. Fiquei muito melhor do que eu imaginava. (Risos)

Passou a comer o que não comia?

Não. Eu sempre comi essas coisas. Só que eu comia duas colheres grandes de arroz, uma concha de feijão, eu fazia um prato bom, sabe? Passei a comer menos, passei a ter horários para me alimentar e excluí gorduras. E segui tudo à risca. Foi o “eu duvido”. (Gargalhadas) Agora tenho que voltar na nutricionista para alterar a dieta. Agora eu quero manter o peso, só isso.

Se priva de algo?

Jamais! Eu hein, nêga, não dá né? Me convidam para jantar e eu não vou? Eu vou sim. Eu como, só que eu tento comer menos. Eu saio, eu janto fora, vou em festas, não vou ficar passando vontade. Tento comer o mínimo possível. Mas como. Eu amo feijoada. Imagina se eu vou ficar sem comer! Nunquinha!

É uma nova Rita?

Sou sim. Sou uma nova mulher, uma nova Rita Cadillac. Melhorei muito. Porque a gente fica com outro humor, né, nêga? Uma rejuvenescida dessas mexe com o humor, com a vontade de trabalhar, com tudo. Quando você não está bem, começa logo a colocar minhoca na cabeça. E quando você se vê melhorada já pensa logo: “estou bem na fita, estou podendo, tenho que continuar”.

Não queria continuar?

Para te falar a verdade, eu estava muito desanimada. Eu tinha que emagrecer e não conseguia e estava me sentindo ultrapassada, chateada, sabe? Então já estava pensando em parar, ficar dentro de casa mesmo, com os amigos e tudo. Não estava deprimida, porque eu não tenho disso. Mas não estava feliz.

Agora está?

Muito. Ah, é muito bom quando você sai na rua e as pessoas dizem que você está mais jovem, bonita. Isso faz bem demais para a gente. Melhora a autoestima de qualquer mulher.

Qual procedimento ou processo foi mais complicado?

O mais difícil mesmo para mim foi emagrecer. Na primeira semana eu queria matar todo mundo que estava na minha frente. (Risos) Porque nos primeiros dias a gente sente fome demais. Aí só matando um. (Risos)

Isso tudo mexeu com sua sensualidade?

Não sei. Esse negócio da sensualidade é algo que eu não me ligo muito. Acho que alterou o meu humor. Aquela coisa de saber que a conta está negativa e morrer de rir, sabe?

Não.

(Gargalhadas) Estou mais otimista e acho que tudo vai melhorar. Não tem problema se a conta estiver negativa. Dou risada, morro de rir. Qual é o problema? Os trabalhos virão e tudo vai melhorar. Estou confiante de que tudo dá sempre certo e que as coisas clareiam.

Está melhor hoje do que aos 40 anos?

Acho que sim. Ainda mais agora, depois do meu aniversário, que eu fui comprar um vestido para usar e comprei um vestido P. É muito bom né? Entrar em uma calça 40, em um vestido P, ai nêga, é bom demais! (Risos)

Não mexeu no bumbum, certo? Nunca?

Nunquinha. Nunca fiz nada no bumbum. Não mexi no corpo, só emagreci. Ah, sim, e tirei os vasos de orquídeas, sabe? Aqueles vasinhos roxos das pernas. Eu chamo de vasos de orquídeas. (Risos)

Eu nunca fiz nada no bumbum. E ele não caiu, né? Acho que isso só pode ser genética. Já estão até me mandando parar de emagrecer, porque senão ele vai diminuir. Mas ele continua aqui: grande, firme e forte. (Risos)

Você disse que a “titia” está velhinha mas dá para o gasto.

(Risos) A titia aqui está meia sola, isso sim. Aí eu falei isso em uma balada e um rapaz mais novo disse que eu estou uma sola inteira. Então tá, certo, tá bom. Dou para o gasto. (Gargalhadas)

Rita antes e depois da mudança. Foto: Reprodução/Internet

Tem sido mais cantada agora?

Eu não sei, eu não ligo muito para isso. Não sei se sou cantada, nem presto atenção. Eu brinco muito com as pessoas e acho que brincam muito comigo também. Não vejo maldade. E eu tenho um namorado, há 4 anos estamos juntos.

Ele é empresário, certo?

Sim e ele mora em Nova Iorque. Nos vemos quando dá, mais ou menos a cada três meses. E está ótimo assim.

Não pensa em casar, morar junto?

Na-na-ni-na-não! Deus me livre! (Risos) Assim está ótimo, é muito melhor. Porque o que os olhos não vêem, o coração não sente. Cada um tem a sua vida, a sua individualidade, está tudo certo. Eu tenho os meus sobrinhos adotivos, que são os meus fãs, tenho muitos ao meu redor. Nos encontramos quando dá. Agora tem uns meses que eu não vou lá, porque o dólar está muito alto. E eu não sou daquelas que vai só para passar o final de semana. Eu gosto de comprar, de gastar. Então estou fazendo a minha caixinha para ir. (Risos)

E o cachê, mudou depois da transformação?

Mudou nada! Não dá para mudar com essa crise que a gente está vivendo. Se eu aumentar o meu cachê, eu não trabalho. E eu quero é trabalhar. Estou fazendo os meus shows, as minhas presenças VIPs e está tudo certo! (Risos)

Há algo que jamais faria, quando o assunto é plástica?

Ai, eu não gosto de dizer dessa água não beberei. Pode ser que amanhã eu acorde e resolva dar uma geral, né? (Risos) Mas a única coisa que eu nunca quis mexer foi no bumbum. Deixa como está, que ainda está bom. Mesmo assim, pode ser que aos cem anos eu precise colocar um silicone nele. (Gargalhadas)

Se importa em envelhecer?

Não ligo a mínima. Não estou nem aí para esse negócio de ficar velha. Todo mundo vai ficar, todo mundo vai envelhecer. Porque não existe ainda um formol que a gente possa beber para se manter jovem para sempre, não é? Então estamos todos no mesmo barco e pronto.

Eu falo a minha idade, fiz esses procedimentos, esse monte de coisa agora, pela primeira vez. Não tenho essa vaidade de achar que eu sou especial e não ficar velha. Vou ficar, como todo mundo.

Apareceu no vídeo promocional de “Glow” ao lado de Gretchen e a internet foi à loucura. As divas estão mais poderosas do que nunca?

Ai, esse convite foi muito legal, né? Quando eles me convidaram, eu achei o máximo. Ainda mais que seria eu e Gretchen. Tem essa história, essa lenda, de que a gente não se dá, que existe uma rivalidade entre nós. Foi muito bom brincar com isso.

E não há rivalidade?

Nunca houve. Almoçamos juntas durante as filmagens e eu brinquei que agora é que todo mundo ia voltar a falar que a gente não se dá. E rimos muito disso. Eu e Gretchen nunca brigamos. A tal história de que o Chrystian tinha ficado com uma chacrete enquanto eles eram casados, não era eu, era outra pessoa. Só fiquei com o Chrystian quando eles terminaram. Esses boatos de rivalidade surgiram porque a gente tem o mesmo segmento, mas nós nunca brigamos. Claro, eu estaria mentindo se dissesse que somos as melhores amigas, não somos. Somos colegas, nos respeitamos e não temos problemas uma com a outra.

E por que tantos boatos?

Porque a gente estava no mesmo segmento. É a mesma coisa que fizeram com Emilinha e Marlene e que fazem com Claudia Leitte e Ivete Sangalo. O povo acha que se está no mesmo segmento, tem que arrumar um “pega prá capar”. E não existe nada, te garanto. Torço muito pela Gretchen, que está em uma ótima fase.

Mas o que aconteceria se a enfrentasse em um ringue, como o comercial sugere?

Só Deus sabe. (Gargalhadas) Pode ser que eu levasse a pior se tivesse que enfrentar a Gretchen em um ringue, porque acho que não sei brigar.

Mas se alguém duvidar de você…

Aí eu parto para cima! Não me desafie, que eu parto para cima. (Gargalhadas)

O comercial celebra o poder feminino. Isso tem a ver com Rita Cadillac?

Muito. A mulher é muito poderosa e eu me sinto assim. Consigo o que eu quero e sem perder a docilidade, a sensualidade. A mulher conquista tudo o quer.

Você era a mais querida entre as chacretes. Isso te tornou impopular entre as colegas? Quais foram os benefícios?

Rita no auge da boa forma, nos anos 1980, no programa de Chacrinha. Foto: Reprodução

Qual é a mulher que não tem rivalidade com a outra? Claro que havia rivalidades. Mas nunca aconteceu nada muito sério e eu sempre me dei muito bem com todas elas. A rivalidade era justamente para aparecer mais do que a outra. A única coisa que o fato de aparecer mais mudou na minha vida, foi me dar mais oportunidades. Fiz filmes, trabalhos como modelo, tudo o que pintava eu fazia. Não era atriz, não era modelo, mas eu aceita os convites que surgiam para ver no que ia dar. Sempre tive humildade para aprender algo, até conseguir fazer bem.

E o assédio nessa época? Era grande?

Nunca ninguém chegava perto das chacretes. O Chacrinha não deixava. Ele até censurava as cartas que chegavam para a gente. Quando eram muito atrevidas, ele não deixava entregar. Quando viajávamos, ele não permitia que ninguém chegasse perto. O Chacrinha era muito protetor e um grande pai para todas nós. Sinto muita falta dele, de seus conselhos, puxões de orelha, de seu carinho e suas palhaçadas.

Há um filme sobre ele sendo feito. Quem seria a atriz ideal para viver Rita Cadillac?

Meu pai do céu, tem tantas atrizes lindas, talentosas que eu admiro. Acho que a Deborah Secco seria uma ótima Rita. E, sei que ela não é atriz, mas a Anitta também seria fantástica. Somos muito parecidas.

Quais são as semelhanças?

Ela tem muita atitude, é muito corajosa. E ainda é uma menina. É decidida e encara tudo de frente. Eu também sou assim. Faço o que eu quiser, como manda a minha cabeça e o meu coração. E não me arrependo. Não tenho medo de julgamentos, não tenho medo de nada. Só me arrependo de coisas que não estiveram ao meu alcance para que eu pudesse realizar. Tenho orgulho da minha história, da minha vida, e não me arrependo de nada.

Sempre esteve ligada à sensualidade, foi um símbolo sexual. Alguma vez sofreu preconceito por ter essa fama?

Claro! Antigamente era ainda pior do que é hoje. Mas ainda há preconceito. Claro, antigamente, atrizes e cantoras eram muito mal vistas. Imagina só as chacretes. As pessoas achavam que éramos prostitutas, que 24 horas por dia estávamos com algum homem. Tudo por conta desse trabalho que estava ligado à sensualidade. E não éramos só nós. Os homens também. Os jogadores de futebol eram mal vistos também.

Hoje em dia, tudo isso é muito glamuroso, dá muita grana. Mas, antigamente, eram trabalhos para pessoas realmente corajosas, decididas. As chacretes eram mulheres muito corajosas!

Ouvi outro dia a Zezé Polessa dizendo que quando desistiu da Medicina para ser atriz, foi à luta sozinha. O que ela subentendeu é que os pais diziam para as pessoas “arruma a mala e vá embora”. Era assim. Hoje em dia, eles incentivam.

Não foi assim com você, certo?

Não porque eu não tinha os meus pais e já era casada, na verdade, separada. E sempre dei satisfação da minha vida somente para mim mesma. Eu sempre fiz o que eu quis. Eu casei da noite para o dia, resolvi de repente. Nessa época, quando a pessoa casava às pressas era porque estava grávida. Não foi o meu caso. Eu casei porque achei que poderia começar a sair à noite, ir para a balada, fumar. Achava que o casamento me permitiria isso. Um ano e meio depois, quando eu vi que não era bem assim, me separei.

Nessa época não havia muitas separações.

Mas eu jamais aceitaria um casamento de fachada, algo que não fosse real. A minha avó, que foi quem me criou, estava além do tempo dela. E ela dizia que tínhamos que seguir a nossa cabeça e viver a nossa vida. Então, fiz o que eu quis.

E não acha também que a gente vai ficando mais velha e toma juízo não. Não toma. Continuo sendo a mesma Rita, desaforada. (Risos) Vou por mim, não vou pelo que as pessoas falam ou pensam. O que eu achar que devo fazer, faço

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Reportagem: Paula Dell’Isola/AT




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