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sábado 21 outubro 2017
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Tecnologia vai mudar a vida em casa e no trabalho

Luciano Raizer Moura disse que mundo vive grande onda de inovação. Foto: Antonio Moreira/AT

Roupas conectadas à internet, máquina que faz compras sozinha e carro sem motorista vão ser realidade até 2025, afirmam especialistas

Atendentes robôs, roupas conectadas à internet, carros sem motorista e máquinas que fazem compras sozinhas. Ainda que algumas dessas ideias possam parecer saídas de filme de ficção científica, são projeções para um futuro próximo.

De acordo com as perspectivas do Fórum Econômico Mundial, 10% da população vai usar roupas conectadas à internet em 2025. Isso representa cerca de 21,7 milhões de pessoas no Brasil, considerando que a população estimada para essa data é de 217,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essas e outras conquistas só são possíveis com tecnologias da chamada Era da Inovação Radical, uma ruptura com o sistema atual de produção em massa para um novo modelo de integração. A Tribuna levantou 15 dessas novidades e como elas podem mudar a vida das pessoas em casa e nas empresas.

Para o professor do Departamento de Tecnologia Industrial da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Luciano Raizer Moura, as palavras de ordem são produtividade e flexibilidade.

“Estamos vivendo uma grande e impactante onda de inovação. Esse conceito de inteligente está vindo para a roupa, para o carro, para as cidades e também está indo para as fábricas, a Indústria 4.0”.

Em um espelho interativo, a pessoa já se visualiza com a peça que quer comprar e também já tira as medidas. Foto: Divulgação

Segundo ele, que também é presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Estado, o conceito se refere à aplicação dessas tecnologias inovadoras e inteligentes no meio industrial.

Com essa perspectiva, o Brasil está prestes a inaugurar, ainda neste ano, suas duas primeiras plantas industriais 4.0, ambas do setor têxtil. Uma será no Rio de Janeiro e outra em São Paulo.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, uma só máquina é responsável por todo o processo de fabricação da peça, desde a medição até a embalagem.

“Começa com um espelho interativo, onde a pessoa já se visualiza com a peça e que também já tira as medidas. Ali mesmo ela seleciona os detalhes como preferir, paga, e 20 dias depois retira a peça na loja ou recebe em casa”. Os protótipos serão inaugurados na IAF Convention, em outubro, maior encontro de confecções do mundo, pela primeira vez no Brasil.

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Consumidor terá acesso até ao “DNA da roupa”

Com a tecnologia vestível aplicada à moda, as roupas se tornarão multifuncionais e não apenas um pedaço de tecido que cobre o corpo. Mas, para além disso, a digitalização também dos rótulos pode ter efeitos ainda maiores em termos globais.

Através de etiquetas de identificação por radiofrequência (RFID, em inglês), será possível ter acesso a todos os dados de fabricação das roupas, acessórios e calçados.

Desde a origem da matéria-prima, passando por sua fabricação, até chegar à loja. Tudo poderá ser monitorado pelo consumidor, dando um novo sentido ao significado de “transparência” e “responsabilidade social” na cadeia produtiva da moda.

“Onde essa peça foi produzida, como foi extraído o material, se a mão de obra é legal, até o salário que o trabalhador recebe, tudo isso pode ser disponibilizado. Um DNA da roupa”, explicou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.

Segundo ele, essa tecnologia já existe e está sendo utilizada por algumas marcas. Entretanto, o processo e o equipamento ainda requer um alto custo e não atrai muitos empresários. “Não é todo mundo que está interessado, mas à medida que isso for atingindo as pessoas em grande escala, o preço vai ficando mais acessível”.

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1 Internet das coisas

Tudo conectado. É isso que a chamada “Internet of Things” (IoT, sigla em inglês) vai fazer. Quando o despertador tocar, ele já vai ligar, on-line, a cafeteira e a torradeira na cozinha. Esse é um exemplo dentro de casa, mas as aplicações vão desde a agricultura até o Terceiro Setor, composto por entidades não governamentais.

2 Sensores

Cada vez menores e capazes de enviar dados em tempo real, já são usados para criar sistemas de monitoramento, seja de estoques ou na própria casa – temperatura, umidade e qualquer movimento serão indicados automaticamente. Na indústria, permitem trocar informações entre as diferentes unidades, otimizando a logística.

Impressora 3D para produção em casa. Foto: Divulgação

3 Impressão 3D

Essa tecnologia já é usada em larga escala por muitas indústrias e laboratórios. Mas agora, está cada vez mais perto de estar dentro das casas. As estimativas são de que vários produtos mais simples e de uso cotidiano deixem de ser manufaturados para serem fabricados dentro de casa, por cada um, da forma que preferir.

4 Inteligência artificial

Capazes de lidar com um grande volume de informações, máquinas que tomam decisões sozinhas alcançam um estágio inédito na produção: a customização em massa. Uma linha de montagem pode fabricar peças para, por exemplo, diferentes automóveis, incluindo alguns feitos sob medida para cada cliente. Além disso, a I.A. estará presente em quase toda máquina ou plataforma. Os call centers do futuro serão apenas servidores e cabos.

5 Nanotecnologia

Dois setores em especial já adotaram os materiais manipulados em escala molecular: o têxtil e o cosmético. Produtos de beleza com princípios ativos encapsulados duram mais e liberam seus componentes em intervalos regulares.

Aplicadas a roupas, essas cápsulas dão origem a camisas repelentes de insetos, por exemplo, ou calças que hidratam a pele, para começar. Em estudos mais avançados, as roupas tecnológicas já podem medir pressão e temperatura de pacientes ou atletas. Forças armadas já desenvolveram um tecido invisível à luz infravermelha, ou seja, impossível de ver com óculos de visão noturna.

6 Biotecnologia

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que, em 2030, a biotecnologia industrial movimentará R$ 1,125 trilhão por ano. Os impactos na vida cotidiana vão desde os avanços na medicina, que aumentam a cada dia, até a produção de carne sintética em laboratório, como alternativa à criação massiva de gado para abate.

Óculos para realidade virtual e aumentada. Foto: Divulgação

7 Realidade virtual e aumentada

Disponível em óculos de realidade aumentada, bem como computadores e celulares ou mesmo laboratórios inteiros, a tecnologia permite simular destinos, ambientes de trabalho de risco e o funcionamento preciso do chão de fábrica. Isso pode permitir desde a abertura de novas agências de turismo virtuais até a viabilidade de reuniões não presenciais.

8 Bitcoin e blockchain

As moedas eletrônicas estão se disseminando rápido porque são fáceis de usar, têm baixo custo de operação e vêm ganhando mecanismos de validação para a segurança. O Japão, primeiro país a regularizar legalmente as moedas, já tem 260 mil lojas aceitando a tecnologia de pagamento.

9 Streaming

Já existem novas câmeras de ação com capacidade de gravação de vídeos em 360 graus e compatíveis com a realidade virtual, levando o streaming para um outro nível, inclusive em tempo real. Ainda aliado aos óculos VR, o potencial instrucional também é enorme, sendo bem mais fácil repetir um movimento ou entender uma tarefa.

10 Energias renováveis

Desde painéis solares e carros elétricos até produção de energia com transformação de pneus. A preocupação com o meio ambiente e a busca pela sustentabilidade são pautas constantes nas próximas previsões e isso pode afetar diretamente os transportes, com o combustível, e a alimentação, pelo gás de cozinha.

Carro autônomo em fase de teste. Foto: Reuters

11 Robótica avançada

O carro autônomo representa o exemplo mais conhecido desse setor. Essa tecnologia, que já vem sendo testada com grande sucesso nos Estados Unidos, na Inglaterra, Alemanha e também aqui no Estado, combina sensores e sistemas de controle computacional para garantir o transporte seguro.

12 5G

A quinta geração da conexão móvel já deve estar popularizada até 2020. E o aumento da velocidade será considerável, previsto a aproximadamente 800 gigabytes por segundo, o que representa cerca de 100 vezes mais rápido do que a utilizada atualmente.

13 Gestão ágil

Em vez de departamentos, os funcionários são organizados em esquadrões, tribos e seções. Essa é a forma de divisão que começou com a Spotify, quando ainda era startup, e vem contagiando grandes empresas, inclusive bancos, na Suécia e na Holanda, com equipes enxutas. Algumas empresas têm resultados 33% melhores.

14 Armazenamento da informação

Na época em que tudo é conectado, a gestão e segurança da informação é questão de sobrevivência. A utilização de dados garante uma melhor compreensão dos clientes, permitindo promover melhorias e até antecipar suas necessidades.

15 Sistemas convergentes

Todas essas tecnologias têm o potencial para dialogar entre si, o que é chamado de “conhecimento perfeito”. Assim, elas garantem que as pessoas saibam tudo o que quiserem, em qualquer lugar e a qualquer momento. O grande diferencial da Era da Inovação Radical é a integração.

Fonte: Especialistas e Revista Exame.

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Sistema para monitorar motorista

O cientista da Computação Lauro José Lyrio Júnior acompanhou o projeto de desenvolvimento do carro autônomo na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) desde seu início, quando fazia sua iniciação científica na graduação.

O projeto também foi parte de seu mestrado e hoje, depois de formado, ele continua atuando através da Motora, empresa da qual é sócio-fundador e que foi criada a partir de subprodutos estudados no projeto.

“Pegamos o sistema que o carro usa para identificar o ambiente ao seu redor e invertemos, para monitorar o comportamento do motorista”.

O produto é o Driver Analytics, tecnologia pioneira no mundo e, agora, já utilizada por grandes empresas, como a Viação Águia Branca.

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Mais máquinas e carros inteligentes

Entre outras projeções do Fórum Econômico Mundial, que acontece todo ano na Suíça, estima-se que 10% da frota de carros dos Estados Unidos será autônoma até 2025, bem como 30% das auditorias serão realizadas por inteligência artificial.

Para a primeira previsão, o Estado já conta com tecnologia em desenvolvimento. O Laboratório de Computação de Alto Desempenho (LCAD) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) possui o carro autônomo Iara (Intelligent Autonomous Robotic Automobile), o mais avançado do Brasil e boa referência mundial.

O veículo, que não necessita de motorista, tem dois motores – um elétrico e outro à combustão – e já foi até Guarapari com gente só no banco do carona. “Acho que a previsão até 2025 é muito provável, principalmente nos Estados Unidos, que tem uma rede de rodovias bem preparada para isso, com as autopistas”, afirmou o professor Alberto Ferreira De Souza, do Departamento de Informática da Ufes, responsável pelo projeto Iara.

Para ele, o carro autônomo já é uma certeza, faltando apenas saber quando vai substituir todos os modelos convencionais. “Pode levar 100 anos. Mas já está provado que a máquina dirige melhor. É mais seguro e mais cômodo. Com a popularização, também será mais barato”.

O diretor da startup Mutual.Life, Fabrício Vargas Matos, destacou a importância da inteligência artificial nesse processo, assim como em vários outros.

“Imagine uma máquina de café inteligente, do tipo autoatendimento. Sozinha, ela já iria saber quando o pó está acabando e, conectada à internet, já poderia fazer uma pesquisa de preços, comprar o próprio pó, que iria ser entregue por outra máquina. Tudo isso sem comandos”.

Para Fabrício, num primeiro momento, a chegada da internet permitiu novos modelos de canais de comunicação e de acesso a produtos e serviços, mas de forma limitada a vantagens comerciais. “Agora, estamos vendo essa revolução tecnológica com alternativas às empresas e organizações”.

O streaming, por exemplo, forma de transmissão instantânea de dados de áudio e vídeo através de redes e que contaminou o mundo com a Netflix, foi o caminho que o diretor da Thibelis Tecnologia, Paulo Regis, encontrou para sua empresa.

“Entre outras coisas, nós também criamos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) e o streaming é fundamental para a educação. Em parceria com o Darwin, desenvolvemos uma plataforma que já tem mais de 2.500 vídeos para quem vai fazer o Enem”.

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Reportagem especial de Caroline Mauri para o jornal A Tribuna para o jornal do dia 24/09/2017




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